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Mais um assalto dos bancos


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“Trabalha, trabalha negro” era um refrão de música do cancioneiro negro do Brasil de então. Era um verdadeiro lamento dos escravos, pela carga de trabalho desumana, que só levava benefícios aos “senhores” do engenho. Um horror na época, mas que de certa forma pode ser encontrado em tempos de hoje.

Claro que não na mesma intensidade, mas ainda de forma desumana, e tendo minoria da sociedade como atores.

Enganam-se aqueles que esperam encontrar trabalhadores na classe que ocupa a base da pirâmide social. Claro que lá está a grande maioria dos trabalhadores e, dentre eles, muito ainda em trabalho escravo, desumano, sem o menor controle. Quanto a esses, o protesto contínuo dos quem ainda têm como foco, a contínua luta por melhores dias.

No Brasil de hoje, uma classe tem sido explorada e tende a continuar essas condições, a ser extinta: a classe média, formada por profissionais liberais, executivos, funcionários públicos e outros. A esses o trabalho, o imposto e a exploração dos bancos e demais instituições financeiras.

Quanto aos bancos, basta olhar no resultado de seus balanços e concluir sem qualquer constrangimento. O resultado do último semestre foi recorde, com alguns superando a casa dos três trilhões de resultado positivo.

E, pasmem, esses resultados não advêm de lucros financeiros próprios a países com sua moeda sendo desvalorizada a cada minuto. Esses lucros são resultado de taxas de serviço, em sua maioria. Para comprovar é só somar o total debitado na conta corrente do mês. Um absurdo que tem levado a muitos protestos e, em muitos casos, ao abandono daquela garra tão comum em profissionais desta casta um tanto desanimada com os fatos recentes.

E como não bastassem as cobranças e mais cobranças, eis que os bancos acabam de instituir por sua conta e risco e com as benesses do Banco Central, uma tal de TAC, em valores expressivos (mil reais), aos que pretendem quitar suas prestações financiadas (como no caso de veículos, por exemplo).

Uma ação popular está em fase de adesão de interessados em Bauru contra esta cobrança abusiva e que não consta do leque de serviços cobrados aprovado pelo Bacen. Pena, mas muitos otimistas acham que o Brasil ainda tem jeito.

Não por coincidência, é exatamente junto à classe média que o atual governo goza da pior avaliação da história política nacional. Um político dizia que Lula dá a mínima à classe média, pois ela não representa a grande massa de eleitores e sim os pobres que, sem muita cultura, se deixam levar por bolsas famílias e outras medidas eleitoreiras da administração do PT.

Esse estado de coisas inaugura uma ação mais discreta, porém, com resultados tidos como certos pelos proletários da classe média. Circulam pela Internet e mails mais e mails, narrando fatos e até orientando ações de protesto quanto ao estado de coisas em que se encontra esta classe. Os protestos são fortes e têm aqueles mais exaltados que chegam às raias da ofensa ao Lula e seus seguidores.

Talvez em substituição aos “caras pintadas”, que protestaram contra o Collor. Collor que perto dos políticos de hoje era apenas um principiante da política.

O autor, Renato Cardoso, é publicitário e responsável pelo Vivendo Bauru e outros sites da SC Comunicação

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