O governo federal tem sido um prodígio do “nada”. Não é um nada comum, mas a total abstração do vazio, a ausência de substância. É o baldio ocupado pela ausência de lógica. O relatório da CPI do Aerocaos, assado pelo pizzaiolo petista Marco Maia, é a prova disso. Meses de investigação e milhões desperdiçados terminaram em... nada.
Embora apontasse sérios indícios de improbidade administrativa na Anarc (Anárquica Agência Nacional de Aviação Civil) e embora “indício” devesse sugerir “indiciamento”, nenhum dos gestores da Anarc vai ser indiciado. É como se nada tivesse existido, nem as comprovadas licitações fraudulentas, as farras com viagens ao Exterior, o desvio de dinheiro público e a omissão criminosa num setor tão primordial à vida do País. Provas materiais e o caos se transformaram do dia para noite em... nada.
Ainda que nada se espere dessa gente despreparada, nomeada para lotear órgãos públicos, colocada sob os auspícios de um presidente que nunca sabe de nada, era de esperar alguma satisfação à nação pelos percalços sofridos na aviação civil ao longo de dois anos de desgoverno, mas... nada. A tropa de elite governamental, maioria na CPI, foi constituída com o objetivo deliberado de se chegar ao... nada. O deputado relator correspondeu a todas as expectativas dos governistas, inclusive pelos reais responsáveis pelas tragédias aéreas.
O incrível é que o “nada” só aparece quando o “tudo” se torna visível, envolvendo a tradicional corrupção e má gestão. Nestas horas, a ordem presidencial faz-se ouvir no Congresso: “transformem tudo em nada”. E, num paradoxo da teoria da abstração, o nada se concretiza.
Ivan Garcia Goffi