Na época aguda de uma campanha, às vezes somos obrigados a usar da palavra dentro de residências onde não conhecemos ninguém. Certa vez, fui com um cabo eleitoral, ex-telegrafista da ferrovia, para um desses bate-papos. Pelo fato de eu ser rádio-amador, o telegrafista, nessas horas, costumava me enviar mensagens em Código Morse. Após a reunião o dono mandou servir laranjas. Não demorou muito e o telegrafista batucou em sua caixa de fósforos: “Laranja muito azeda”. Debaixo da mesa respondi com duas letras: “OK”. Para nossa surpresa, o dono da casa, que também era telegrafista, mandou a seguinte mensagem: DE GRAÇA, O QUE VOCÊS QUERIAM?
Contada por Rui Bertoti