Política

Gasparini ‘atira’ contra PM na sessão

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Depois de denunciar a situação em agosto, o vereador Alex Gasparini (PMDB) voltou a afirmar, durante a sessão de ontem do Legislativo bauruense, que lojas de conveniência com funcionamento 24h estariam sendo pontos de consumo e tráfico de drogas na cidade. O parlamentar também “atirou” contra a Polícia Militar (PM) por considerar que a corporação não estaria tomando providências para resolver o problema.

No dia 13 de agosto, também em uma sessão da Câmara, o peemedebista denunciou que, após visitar alguns estabelecimentos do gênero na cidade, constatou que o uso e tráfico de drogas nos locais era freqüente, especialmente durante as madrugadas. E, ontem, Gasparini voltou a tocar no assunto alegando que, depois de passar por uma das mesmas lojas que já havia verificado na ocasião passada, a situação permanece a mesma. Ele também criticou o comportamento dos policiais que atenderam a ocorrência.

“Verifiquei novamente o uso e o tráfico de drogas. Fui reconhecido por meliantes que estavam no local e imediatamente liguei à polícia para dar o flagrante no delito. Só que a viatura chegou e não entrou no estabelecimento, pois ficou parada na rua. Depois, eles me pediram, pelo celular, para me identificar aos policiais, mas como ia fazer isso? Teria de passar na frente de todo mundo, inclusive dos que estavam usando e traficando. Não culpo os soldados, que são vítimas, mas pedir para me identificar é o fim da picada”, contou Gasparini. E acrescentou:

“Não vou me cansar de denunciar isso, pois o problema está grave demais. Já faz tempo que fiz a primeira denúncia e até agora, a não ser no mesmo dia que trouxe à tona o caso, não fui procurado por mais ninguém da Polícia Militar. Por isso, faço um apelo ao comando da corporação para que tome providências, pois não podemos perder o controle. Será que eu mesmo terei de sair por aí filmando para flagrar esses crimes?”

Segundo o parlamentar, seu posicionamento não significa que esteja solicitando a demissão de funcionários dos estabelecimentos, normalmente localizados em postos de combustíveis, mas sim atendendo a reclamações de empregados que atuam nas lojas de conveniência. “Não estou fazendo apologia para o frentista ou o caixa perderem o emprego, pois quem me fez a primeira denúncia de que estava sendo ameaçado pelos traficantes foi justamente um funcionário que trabalha em um posto. Na verdade, os frentistas e outros empregados não se sentem à vontade para trabalhar, pois não sabem o que vai ocorrer durante a madrugada”, salientou Gasparini.

PM responde

O capitão João da Costa Duarte, comandante da 1ª Companhia da Polícia Militar de Bauru, ressaltou que, desde a formulação da primeira denúncia do vereador Alex Gasparini sobre o assunto, o setor de inteligência da corporação tem desenvolvido investigações que não podem ser reveladas por questões de segurança. “Estão sendo feitas ações voltadas a coibir tais práticas criminosas, mas que não podem ser reveladas para não prejudicar o trabalho”, sustentou Costa Duarte.

O capitão também esclareceu os procedimentos adotados pelos policiais que atenderam a ocorrência, como o fato de não terem entrado no estabelecimento e acionado o parlamentar pelo telefone. “Uma viatura chega em um local repleto de pessoas. Se você estivesse nesse local, reabastecendo o carro ou tomando um refrigerante, concordaria que a polícia fosse lá, pedisse para colocar as mãos na cabeça e abordasse sem você estar fazendo nada de errado?

O motivo do vereador receber o telefonema era para ele indicar quais as pessoas estavam envolvidas na ocorrência, como elas estavam trajadas. Imagine se os policiais fossem abordar todas as pessoas que estavam no posto o constrangimento que elas passariam. Por isso também a viatura não entrou no local, para não chamar a atenção”, destacou. E completou:

“Ele foi chamado ao lado para que informasse as características físicas e pessoais para que os policiais fizessem alguma ação sem abordar todo mundo, até para evitar que pudessem sumir com eventuais materiais entorpecentes. Além disso, o dono do posto teria se prontificado, quando da realização da primeira denúncia, a colocar câmeras de vídeo para ajudar a polícia no combate aos crimes.”

Além disso, Costa Duarte afirmou que a corporação está à disposição do parlamentar para esclarecer todas as dúvidas e questões necessárias sobre o caso. “É muito interessante ter alguém como o vereador preocupado com o que está ocorrendo. Vemos com bons olhos e o batalhão está de portas abertas para recebê-lo para quaisquer esclarecimentos”, concluiu.

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