Tribuna do Leitor

A culpa é da escola?


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Temos nos últimos tempos assistido a notícias veiculadas através da mídia de fatos realmente curiosos ocorridos em recintos escolares.

Houve um tempo em que tais locais eram respeitados e freqüentados por pessoas com um único objetivo: instruir-se, ou seja, serem alfabetizados e aprender.

Neste mesmo tempo, professores, diretores, inspetores e até mesmo um simples servente de uma escola eram tratados com o devido respeito. Autoridades competentes ocupavam seu devido lugar.

Extensão de nosso lar, os próprios pais creditavam a estas pessoas o direito de complemento à educação de nossos filhos. A escola era um local sério.

Distorções sociais foram confundindo esses papéis. A degradação moral do ser humano afetou diretamente este sistema. Governos que vêm há muito tempo “despreocupados” com o nível educacional em nosso País pouco fizeram (e fazem) pela educação de nossas crianças.

É sábio dizer que quanto mais “burro” um povo, mais fácil de se governar. Como um velho dito popular: “Em terra de cegos, quem tem um olho é rei”.

Com o surgimento do militarismo, a opressão, a educação e o conhecimento ficaram claras em sua existência. Com o fim deste, pouco se fez para mudar este quadro. É muito interessante que assim continue.

Estes dias li uma frase coerente e fiel à real situação de nosso País: - O governo tem investido muito mais no projeto “Bolsa-Família” do que na “educação”, isto porque de certa forma controla-se melhor uma população “carente” através de uma indireta “escravização”. A educação, pelo contrário, através do conhecimento que fornece “liberta” este povo, e isso com certeza não é interessante ao governo.

Nesta “ignorância” temos assistido a fatos que nos deixam (pessoas esclarecidas é claro!) perplexos. Alunos de escolas (futuros bandidos) que fazem os mais diversos tipos de violência contra professores e até o próprio recinto escolar que freqüentam. Cenas reais de violência ao extremo. Falta total de respeito com superiores, próximos e até mesmo o patrimônio público ou privado. Elementos que vêm de uma família desestruturada. Elementos que, ao invés de serem repreendidos e punidos por este comportamento, são protegidos por autoridades interessadas em manter esta anarquia. (Isso é conveniente!). O pior de tudo... professores e diretores escolares acabam sendo punidos???!!! Eles acabam sendo taxados como culpados???!!! Pais que nem se preocupam com os filhos, quando sabem de algum tipo de repreensão dirigida a seus filhos, comparecem ante “autoridades” para denunciar “maus-tratos”!!! Um absurdo!!!

Bons tempos os meus de escola. Professores, amparados e apoiados por meus pais, complementavam os papéis destes em minha educação. Puxões de orelha, “cascudos” e castigos colocavam-me em minha devida posição quando eu ultrapassava limites aceitáveis. De certa forma, o “medo” ensinou-me o que é o respeito. Hoje, quando encontro alguns de meus ex-professores pelas ruas, a emoção toma conta de mim. Vejo verdadeiras pessoas que me ensinaram a ser um “homem” digno. Nunca sinto revolta, apenas gratidão. Bons tempos... hoje isto é considerado violência. Desta forma, vamos continuar criando mais e mais bandidos. Pessoas sem respeito ao próximo, verdadeiros bárbaros. Sempre se fala em direitos da criança e do adolescente, porém, esquecem-se do compromisso que estes têm em cumprir seus deveres.

Bons foram aqueles tempos de escola.

Maurício José Magnani - RG 18.037.022-4

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