A única notícia que se repete cada dia mais é que a escassez de água é uma realidade. Será? Mas vamos meditar um pouco e descobrir o que está acontecendo no mundo, ou vamos minimizar esta história, em Bauru?
Os nossos políticos estão preocupados em fazer loteamentos sem asfalto para aumentar o escoamento de água para os dois principais aqüíferos, Guarani e Bauru. Será esta a solução mais viável? (Ou o prefeito já teve uma idéia melhor: deixar os buracos nas ruas para escoar melhor a água da chuva?)
Mas vamos ao mais interessante, os poços semi-artesianos que o DAE esta pegando no pé dos proprietários, poços que extraem da natureza em torno de 3 mil a 6 mil litros de água, no máximo, cada um por dia. Não estou defendendo os proprietários de poços semi-artesianos, pelo contrário, pois os poços semi-artesianos são considerados pelos especialistas como um câncer para um aqüífero. Estão querendo acabar com estes poços, primeiro, para aumentar as receitas do DAE, e segundo, estão culpando estes pequenos poços de estarem acabando com a maior reserva de água subterrânea do Brasil, e quem sabe do mundo.
A minha dúvida é a seguinte: quantos milhões de litros de água são retirados por grandes empresas do Aqüífero Guarani e aqüífero Bauru para a sua produção, e o pior, exportando para outros municípios e Estados? E estas coisas o DAE não enxerga, ou será que o valor repassado para o município compensa acabar com a natureza e culpar os pequenos proprietários de poços?
Agora, parando para pensar em todo o Brasil, quantos milhões e bilhões de litros de água estão sendo industrializados para fazer suco, refrigerante, cerveja, água mineral com gás e sem gás? Pensando mais além, o suco que é exportado para outros paíes nada mais é do que água que as árvores retiram do solo, repassam para seus frutos, os homens industrializam e exportam. O álcool, a cana-de-açúcar retira a água da terra, transforma em sumo que se transforma em álcool. Aí nosso presidente faz visitas para o mundo todo para exportar o nosso álcool (água).
E ainda temos os nossos carros, que com seus radiadores com aproximadamente 4 litros de água cada um, retiram mais um pouco de água da natureza para ficar armazenado.
E tem um agravante ainda maior: quantas residências, prédios, clubes e tudo mais que tenha sistema de caixas de água e piscinas? Está certo que estas águas são renovadas, mas pertencem à natureza e não a sistemas de armazenamentos.
O certo é que não sabemos utilizar a água, não estamos acabando com este líquido que Deus nos deu, e sim industrializando e armazenando este líquido sagrado por inexperiência, ganância, egoísmo ou simplesmente falta de inteligência para lidar com algo tão precioso.
Vamos pensar mais um pouco e procurar uma solução, se é que existe uma?
Alexandre Gomes da Cunha - RG 21.887.506