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TVs querem que ‘Tropa de Elite’ se torne série, diz José Padilha

Folhapress
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Perguntas sobre a violência como forma de resolver a criminalidade dominaram a entrevista do cineasta José Padilha, no “Roda Viva” (TV Cultura), transmitido anteontem à noite. Ele acusou de adeptos do “patrulhamento ideológico” aqueles que apontam o filme “Tropa de Elite” como “fascista”. No final do programa, ele reconheceu a possibilidade do filme transformar-se em uma série de TV. “As televisões querem”, disse. O programa será reprisado na madrugada de domingo para segunda, à 1h30.

Questionado se a pirataria ajudou na divulgação da obra, ele respondeu, inicialmente, que não sabia. “Mas não dá para negar: ela popularizou o filme”, admitiu mais adiante. Padilha também rebateu críticas de que o capitão Nascimento, personagem principal interpretado por Wagner Moura, fosse encarado como herói pelo público.

O cineasta falou sobre a forma como a platéia tem reagido ao filme nas salas de exibição - “Tropa de Elite” entrou em cartaz, sexta-feira, no Rio e em São Paulo. “Falaram em reação de júbilo para tortura. Não vi isso”, comentou. Para o cineasta, o filme apenas retrata uma realidade. “Que estrutura é essa que precisa de um Bope? Se existe o Bope, a gente já tem um problema. Não é o só capitão Nascimento”, questionou.

“É como se você colocasse um termômetro e ele registrasse 40 graus e a gente quebrasse o termômetro”, comparou. Segundo ele, o objetivo do filme era gerar o debate sobre a instituição policial. “O Estado converte miséria em violência. Mas isso não é tudo. Existe uma outra máquina convertendo miséria em violência. E essa máquina é a polícia”, disse.

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