Economia & Negócios

AHB lança plano para consulta e exame

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 4 min

A Associação Hospitalar de Bauru (AHB) e a empresa privada Beneplan anunciaram ontem o lançamento do HBmed, plano de saúde ambulatorial - utilizado apenas para realização de consultas e exames - que terá preço inicial de R$ 20,32 mensais aos usuários. Segundo a AHB, pretende-se destinar 20% de sua arrecadação a um fundo de auxílio para ajudar na manutenção do Sistema Único de Saúde (SUS). A expectativa da Beneplan é de arrebatar 20 mil clientes em dois anos.

A idéia de utilizar parte da arrecadação com o novo plano para incrementar a verba repassada pelo SUS surgiu em função da AHB acumular dívida de R$ 27 milhões e déficit mensal em torno de R$ 500 mil. A tabela de remuneração adotada pelo governo para pagar as intervenções em pacientes da rede pública é apontada como motivador desse prejuízo, estando em média 30% abaixo dos valores de mercado.

A parceria com a Beneplan é vista como a oportunidade de criar um fundo para a manutenção dos usuários do sistema estatal e, conseqüentemente, de redução desse passivo. Contudo, caso a totalidade dessas pessoas optassem pela oferta mais barata do plano, ao final do período a AHB receberia cerca de R$ 81 mil, valor muito abaixo até mesmo do déficit mensal da instituição.

O HBmed é voltado para a população de baixa renda (a partir de dois salários mínimos), exatamente o perfil do usuário da rede SUS. Aderindo ao plano, cujo valor varia de acordo com a faixa etária, o beneficiário terá acesso a serviços médicos como consultas, exames e atendimento de urgência diferenciado. Além de arcar com a mensalidade, o titular do plano terá que pagar percentuais para cada serviço que utilizar.

No caso das consultas, o usuário desembolsa 50% do valor cobrado pelo médico. Já com relação aos exames, a tarifa baixa para 35% em relação ao preço de mercado. Os médicos são aqueles que já pertencem ao quadro da Beneplan (200 profissionais atualmente), bem como os funcionários da AHB. Internações não são cobertas pelo plano e deverão ser feitas pelo SUS ou de forma particular.

Citando como exemplo: uma grávida passa mal durante a noite. Ao invés de se dirigir ao Pronto-Socorro Central (PSC), ela pode seguir diretamente à Maternidade Santa Isabel, que faz parte da AHB, onde será atendida. Basicamente, a pessoa paga um valor determinado para a empresa particular e tem vantagens na hora de utilizar as dependências da rede pública de saúde. Uma espécie de “privatização” do SUS, sendo que quem consegue pagar R$ 20,32 ao mês terá prioridade no atendimento.

Para fazer consultas em consultórios de médicos que atendem pelo SUS e também de credenciados da Beneplan, os usuários do HBmed terão prioridade e desconto nos exames.

Dívida

“Hoje temos um déficit de receita oriundo da própria tabela SUS (para reembolso de intervenções médicas). O próprio ministro da Saúde aponta defasagem de 30%. Isso provoca um prejuízo mensal que faz com que tenhamos que atender um pouco mais de convênio para poder amenizá-lo”, afirma o superintendente da AHB, Reinaldo Rocha. “Uma cesárea, por exemplo, custa em média R$ 800,00 segundo a Federação Hospitalar. O montante que recebemos para cada intervenção como essa é de R$ 384,00”, completa.

De acordo com Rocha, o repasse é tão baixo que em diversos setores não é capaz de suprir os salários dos funcionários, sem contar as despesas de manutenção. “Só a AHB oferece fisioterapia pelo sistema SUS. Temos um total de cinco funcionários e atendemos 200 pacientes por mês. Nossa arrecadação é de R$ 4 mil, o que paga um fisioterapeuta e meio”, revela Rocha.

• Serviço

A Beneplan fica na quadra 19 da rua Rio Branco. O telefone é 2106-8757.

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Expectativa

A expectativa dos parceiros é de que o plano HBmed passe a ser vendido a partir do mês de dezembro. Ainda falta a assinatura do convênio entre a Beneplan e a Associação Hospitalar de Bauru (AHB) e também a adequação de algumas sistemáticas de atendimento. A modalidade mais cara do plano custará R$ 90,00 ao mês.

A Beneplan é uma empresa exclusivamente bauruense que atua desde o ano 2000 na cidade. “Trata-se de um novo produto para atender uma população de baixo poder aquisitivo que tem todo um cunho social na sua concepção”, destaca Luiz Carlos Mendes Júnior, diretor da Beneplan.

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