Marília - Quem circular pela rodovia Transbrasiliana (BR-153) passando por Lins e Marília (100 quilômetros de Bauru) vai pagar pedágio de aproximadamente R$ 2,45. A cobrança passa a ser feita a partir do ano que vem, quando a concessionária BRVias, empresa vencedora do leilão de privatização da rodovia, começa a administrar a estrada federal. A concessionária arrematou ontem o trecho de 321,6 quilômetros, onde instalará quatro praças de pedágio. O trecho vai da divisa entre Minas Gerais e São Paulo até a fronteira entre São Paulo e Paraná.
O grupo propôs a menor tarifa de pedágio no valor de R$ 2,45. O preço máximo da taxa para esse lote era de R$ 4,083. Nos primeiros seis meses de operação a concessionária não cobrará pedágio, conforme prevê o contrato de concessão de serviços.
Os pedágios serão instalados no Km 184, um quilômetro antes do trevo de acesso a Lins, e no Km 267, após o Rio da Garça, na direção de Ourinhos. A estrada ainda ganhará pedágios em Rio Preto, no Km 35, e em Ubarama, Km 97.
A concessionária reúne a Splice, grupo Áurea - pertencente à família Constantino, controladora da Gol - e construtora Walter Torre. O JC procurou o empresário Antonio Beldi, proprietário da Splice, mas sua assessoria de imprensa disse que ele estava viajando. A mesma justificativa foi dada na sede da BRVias, que só se manifestará segunda-feira.
Conforme informações obtidas, o contrato de concessão por 25 anos prevê investimentos de R$ 1,7 bilhão. Deve ser assinado no início de janeiro e, já a partir da segunda quinzena do mês, a empresa iniciará as obras e a operação das rodovias federais. Inicialmente está prevista a implantação de atendimento ao usuário na estrada, com ambulâncias de resgate e guinchos. Também pontos com telefones.
Até o fim da primeira década de concessão a estrada deve ganhar sete trevos e oito passarelas, sendo cinco entre Lins e Ourinhos, além de melhoria de acessos. Estão previstos cerca de 50 quilômetros de duplicação.
Repercussão
Um dos fatos que se seguiram ao leilão de rodovias federais anteontem foi a repercussão comparando preços de pedágios cobrados em estradas estaduais de São Paulo e o valor que será cobrado nas federais. Por ter despertado pouco interesse, a Transbrasiliana teve uma oferta pouco concorrida em relação aos outros trechos.
Ainda assim, o valor do pedágio na BR-153 está muito abaixo dos valores cobrados, por exemplo, na Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225). Os comentários, principalmente de setores políticos, eram de que o valor maior cobrado por pedágios nas estaduais é pela cobrança de valor para a concessionária e um valor para o governo estadual, além dos impostos que recaem sobre a tarifa.
O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento disse ontem que o leilão mostrou que a taxa de retorno de 8,95% para investidores é viável. “O leilão tinha como prioridade o menor preço ao usuário”, disse Nascimento. “Se comparada com alguns Estados, a tarifa é bem mais baixa.” Questionado se a estocada se dirigia a São Paulo, onde se concentra a malha rodoviária com cobrança de pedágio, ele desconversou. “Não critico ninguém, só a mim mesmo”, disse o ministro. A espanhola OHL arrematou cinco dos sete lotes oferecidos no leilão de privatização.