São Paulo - O Brasil possui um dos piores índices de competitividade entre os 43 maiores países do mundo. Esta é a principal conclusão do Índice de Competitividade (IC) de 2007 da Fiesp, que foi apresentado ontem. Entre os analisados, o Brasil ficou na 38.ª colocação, com 17,4 pontos, em 100 possíveis. O Brasil só ficou à frente de Filipinas, Turquia, Colômbia, Índia e Indonésia.
Segundo José Ricardo Roriz Coelho, diretor-geral da Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decontec) da Fiesp, a má posição do Brasil não significa que o País não avança em sua competitividade, e sim, que os outros países o fazem de forma mais acelerada. “O Brasil tem evoluído muito, mas a competitividade é um termo relativo”, afirmou. “Podemos estar avançando, mas a maioria dos países evolui em um ritmo mais acelerado.”
Os emergentes são os países que mais crescem no IC - e são os principais concorrentes do Brasil. Para o responsáveis pela pesquisa, o Brasil deveria ter o mesmo ritmo das nações em desenvolvimento. No topo do ranking estão Estados Unidos (93,9 pontos), Suécia (76,8), Japão (76,6), Suíça (65,1) e Noruega (74,4). Considerando os países da América do Sul, estão à frente do Brasil a Argentina (em 31.º, com 37,9 pontos), o Chile (em 32.º com 37,2) e a Venezuela (em 35.º, com 26,7 pontos). Dos Brics, a China está em 27.º com 42,7 pontos e a Rússia em 28.º com 42,2.
Os dados do IC são relativos a 2005. Segundo Coelho, ainda não há informações confiáveis dos anos posteriores sobre todos os países para avançar no índice.
Sobre o Brasil, a Fiesp projeta elevação para 2006 e 2007. O índice de 2006 ficaria em 20,1 pontos, e em 21,9 para 2007. Segundo a entidade, a alta seria puxada principalmente pelo aumento das reservas internacionais e da redução das taxas de juros e da inflação.
A entidade acredita que se o País implementasse reformas que permitissem o crescimento do IC no mesmo ritmo dos que estão hoje subindo no ranking, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceria pelo menos a 4,3% ao ano nos próximos 15 anos. Caso isso não ocorra, só seria possível garantir um crescimento na casa dos 2,8% no mesmo período.
Segundo Coelho, dois pontos precisam ser atacados com urgência para que este crescimento acelerado no IC aconteça. O primeiro é na área de Capital - redução de taxa de juros de depósito, do spread bancário e da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e aumento do crédito ao setor privado - e depois para a área de Governo (redução do consumo estatal e da carga tributária e o aumento da poupança doméstica e da taxa de investimento).
Outras medidas são consideradas importantes, porém são menos urgentes. Entre elas estão aumento dos investimentos em pesquisa e infra-estrutura, além da melhoria na eficiência dos gastos com saúde e educação.