Chapecó - Em dois acidentes ocorridos em seqüência, em menos de duas horas, 27 pessoas morreram e ao menos 90 ficaram feridas na BR-282, em Descanso (680 quilômetros de Florianópolis), na noite de anteontem. Após uma colisão entre uma carreta e um ônibus, que levou à interdição da pista, o motorista de outro caminhão invadiu o local bloqueado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e atropelou as pessoas que acompanhavam ou trabalhavam no resgate. O motorista foi autuado em flagrante por homicídio doloso (quando há intenção de matar). Teve sua prisão preventiva, que só poderá ser cumprida depois que ele deixar o hospital.
O primeiro acidente ocorreu por volta das 19h30, no quilômetro 630. Um caminhão Volvo, carregado de soja, trafegava pela rodovia no sentido São Miguel d’Oeste-Chapecó quando tentou ultrapassar um caminhão Scania em uma curva. Depois de raspar a lateral do veículo, o Volvo bateu de frente com um ônibus que vinha no sentido contrário. O ônibus, da WRTur, transportava 45 pessoas que voltavam da Exposição-Feira Agropecuária, Industrial e Comercial de Chapecó para São José do Cedro.
Os dois veículos caíram em uma ribanceira, de uma altura de 30 metros. Equipes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar e da PRF chegaram ao local para fazer o resgate. Os dois sentidos da pista foram interditados. Sete pessoas morreram - o motorista do ônibus e dois passageiros e a família do motorista do caminhão. Segundo a PRF, Marco Aurélio Matthes, 39 anos, levava a mulher, de 38 anos, e os dois filhos, de 4 e 2 anos, na cabine do veículo.
Uma hora e meia depois da colisão, um caminhão Mercedes-Benz, de Cascavel (PR), carregado com pacotes de açúcar, ignorou a sinalização na pista (montada a pelo menos oito quilômetros do desastre). Ao chegar no ponto onde começava o congestionamento, a quase dois quilômetros da primeira colisão, o motorista Rosinei Ferrari, 28 anos, entrou pela contramão, desviando da fila de carros na sua pista. Ao chegar ao local do acidente, Ferrari atingiu dez carros do Corpo de Bombeiros e da PM e atropelou dezenas de pessoas. Depois, a carreta tombou. vinte pessoas morreram neste acidente. “Não se sabe porque ele saiu da sua pista. Uma hipótese é que tenha desviado para não bater nos carros no congestionamento e tenha continuado em alta velocidade porque perdeu o freio”, diz o policial Adriano Fiamoncini.
Segundo a Secretaria da Segurança, o tacógrafo da carreta mostra que ele estava a 130 quilômetros/h quando invadiu o bloqueio. Segundo a PRF, entre os mortos no segundo acidente estão passageiros do ônibus que não haviam morrido no primeiro. Eles estavam no ônibus, aguardando resgate, quando carros atingidos pelo caminhão caíram sobre o veículo. Levantamento preliminar mostra que oito passageiros do ônibus morreram - três no primeiro acidente e cinco, no segundo.
Também morreram cinco bombeiros, um policial militar, três jornalistas, o motorista da Scania ultrapassado pelo Volvo e pessoas que observavam o trabalho de resgate. Segundo o Corpo de Bombeiros, havia 60 militares trabalhando no local. O governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB) decretou luto oficial.