Desta vez o responsável pela organização da viagem foi o Professor Elvio (do curso de computação da Universidade do Sagrado Coração), que agregou o pessoal: nós (Maria Luiza e Muricy), a família do José Carlos (Norma e Lourdes), a Rita , a Danny e Maria Helena, Neusa e Diva, e a convidada especial, a Maria (mãe do Elvio).
Feitos os arranjos, lá fomos nós para João Pessoa. Instalados no hotel, decidimos por um passeio cultural à Região do Brejo Paraibano: Sítio Arqueológico de Itacoatiara, no município de Ingá.
De microônibus percorremos a rodovia BR 230, passando sucessivamente por Bayeux e Santa Rita (na Grande João Pessoa), depois passamos por acessos a Sobrado, Pilar, Riachão do Poço, Cajá, Juarez Távora e antes do Riachão do Bacamarte, entramos no acesso à cidade de Ingá.
Na entrada nos deparamos com uma cidade típica do Brejo, com seu casario antigo e colorido e muito movimento na rua porque estava se realizando um enterro, com a limusine à frente, a urna funerária sobre um carrinho logo atrás e o povo acompanhando a pé e de bicicleta. Com respeito, aguardamos a passagem do féretro. Dirigimo-nos ao sítio para a visita.
Por informações locais e levantamentos que fizemos, sabemos que: 1) A Pedra do Ingá foi o primeiro monumento arqueológico tombado como patrimônio nacional em 1944; 2) Ss inscrições foram feitas há mais de 8.000 anos (há divergências); 3) Está localizada a 100 km de João Pessoa; 4) o bloco rochoso principal tem 24 metros de comprimento e quase 4 metros de altura; 5) o painel com as gravuras deve ter sido gravado com instrumentos de pedra; 6) está localizado às margens do riacho Ingá do Bacamarte que, em suas cheias anuais, provoca intensa erosão no campo de pedras; 7) o sítio foi declarado de utilidade pública em 23 de agosto de 2005, pelo Governo do Estado.
O que contém o sítio? As explicações do senhor Renato, responsável gratuitamente pela “conservação” do sítio – com base em pesquisadores que passaram pelo local, correspondem a cenas do cotidiano, a marcação do ano lunar (na parte superior da pedra), formas de “indivíduos”, conjuntos de estrelas (constelações?), há até uma forma que lembra a configuração de um foguete. Afinal ali viveu um homem pré-histórico...
Após as explicações do senhor Renato, nos dirigimos ao museu, construído com muito esforço (vide foto) para demonstrar a existência dos antigos animais presentes através do fósseis encontrados.
Ao fundo, há uma pequena cantina com água de coco e chocolates, além da venda de camisetas como recordação da visita.
No final observamos alguns aspectos:
1. Não há interesse algum do poder público em manter o sítio preservado, pois a pedra maior e o chão estão expostos ao tempo – ao contrário da Ilha de Mozzia, que visitamos na Sicília, protegido por telhados e passarelas.
2. Por que uma universidade da Paraíba não assume o local como “campus” de pesquisa? A universidade de Campina Grande está bem próxima...
3. O material do museu, riquíssimo, está sem proteção alguma, sobre caixotes, podendo ser manipulado por inescrupulosos e até ser levado como “recuerdo”.
4. No ano passado visitamos o MAX, Museu Arqueológico de Xingó (Sergipe), que nos deu orgulho quanto a preservação, exposição e tratamento ao turista, graças à atuação da Universidade Federal de Sergipe, que assumiu o “campus”, produzindo livros sobre o assunto. Em tempo: também trouxemos camiseta do MAX.
Elvio e Maria, obrigadão pela companhia, todo o grupo agradece a viagem, com reflexo em nossa cultura, pois viajar é conhecer...
* Ex-professor de geografia no curso de turismo da USC.
** Professora e psicóloga pela USC.