A adolescente Lígia Bueno Storto, 13 anos, passou um dia diferente ontem. Ao invés de ir para a escola, ela passou a manhã conhecendo e participando de todas as atividades da Polícia Militar (PM), inclusive fardada e usando, como forma de homenagem, o boné do sargento Ricardo Propheta, morto no início do mês passado em acidente de trânsito durante o trabalho. O sonho de conhecer o dia a dia do policial, cultivado desde os 4 anos de idade, fez a adolescente ter a certeza da profissão que seguirá no futuro.
Não foi fácil para ela conseguir convencer a PM. Lígia conta que durante cinco anos mandou pelo menos 15 cartas para a corporação e por várias vezes compareceu pessoalmente na Base Comunitária Leste, do Mary Dota, expressando sua vontade de conhecer a rotina dos policiais.
O esforço valeu a pena, porque ontem ela passou por cinco unidades da PM, desempenhando atividades como operar rádio, participar de patrulha com a cavalaria, com o canil, além de participar do treinamento dos policiais. “Achei muito legal perceber que o clima entre eles é descontraído e alegre quando estão juntos, totalmente diferente daquilo que pensamos quando os vemos trabalhando na rua”, destaca o que mais lhe chamou a atenção durante as visitas.
Lígia se encantou com a cavalaria e também com a patrulha aérea e afirma com veemência que irá seguir uma das opções quando fizer parte do quadro da PM. “Agora vou estudar muito e seguir o caminho para realizar meu sonho”, pretende.
A garota não consegue explicar ao certo a causa da sua verdadeira paixão pelo trabalho da polícia. “Toda vez que saía de carro com meu pai e passava algum carro de polícia por perto, não perdia a oportunidade de pedir para ele acompanhar a viatura”, conta. “Acho que Deus me deu o dom e a vontade de ajudar o próximo. A realização disso vejo no trabalho da polícia”, completa.
Para o tenente Renato Ramos, comandante da Base Leste e um dos realizadores do sonho de Lígia, não há dúvida de que a adolescente fará parte da PM num futuro próximo. “Ela realmente tem o perfil para cumprir muito bem o papel (de policial). Se perguntarmos para cada um dos nossos colegas, a maioria responde que, sem dúvida, tinha este sonho desde criança”, afirma.
Mulheres
De acordo com Ramos, existem mulheres atuando em todos os setores da PM. Ele destaca a importância que elas têm na corporação, principalmente por complementar o trabalho realizado pela ala masculina. “O destaque principal das mulheres é a garra durante o trabalho. Elas são mais convictas e persistentes do que os homens e não desistem até conhecerem a fundo tudo o que permeia uma ocorrência. Além disso, elas também têm um poder maior de perceber detalhes, algo que é mais contido nos homens, mas ajuda muito na solução dos crimes”, afirma.
A mãe de Lígia, dona Elizabete, não concorda muito com a vontade da filha em se tornar uma policial. No entanto, incentiva a garota a buscar seu sonho. “Não gosto da idéia pelo risco da profissão, mas cada pessoa tem sua vocação. Só peço a Deus que a abençoe e que dê oportunidade para que ela faça um bom trabalho e traga mais segurança para a população”, diz.
Lígia ainda tem um caminho um pouco longo para seguir até se tonar policial militar. Ela precisa atingir 18 anos de idade, concluir o ensino médio, prestar o concurso da PM e passar nos testes físicos para poder, finalmente, realizar seu sonho.