Enquanto as gravadoras lutam por sua sobrevivência no mercado, a iniciativa de lançamento de “In Rain-bows”, novo disco da banda inglesa Radiohead, é alardeada como a “verdadeira revolução” na forma como consumimos música. Mas será que vender as próprias músicas sem intermediários, pelo valor que o cliente quiser pagar, é realmente uma revolução? Ou somente uma evolução? Fato é que isso não vai alterar drasticamente a rotina de ninguém.
Há duas semanas, o Radiohead anunciou que lançaria seu sétimo disco de estúdio de forma independente e apenas em formato digital, pelo menos num primeiro momento. Até aí, nada de novo. A surpresa veio em seguida: quem quisesse adquiri-lo deveria se inscrever no site da banda e escolher quanto pagaria pelo disco completo - ou seja, as 10 músicas em MP3.
Se o Radiohead já havia conseguido colocar seu público contra a parede outras vezes, com a evolução/reinvenção/desconstrução de seu rock pop, mais uma vez a banda propõe uma charada. Quanto é que vale o trabalho do artista? Qual o valor de um conjunto de dez canções?
O valor pago vai direto para a banda, sem intermediários. Se o cliente quiser, pode pagar nada ao fazer o download. Em uma época de uso amplo de programas gratuitos de troca de arquivos, seria uma atitude condizente com a realidade. Na verdade, Thom York e seus colegas propõe uma nova forma de estabelecer um valor objetivo - seu dinheiro - para um conceito subjetivo - as novas músicas e o quanto você deseja escutá-las.
Anteontem, desde que o site www.inrainbows.com disparou os e-mails autorizando os downloads das faixas em um arquivo compactado, obviamente o sistema entrou em pane. Ao que parece, ontem o serviço já estava normalizado. As faixas de “In Rainbows” são “15 Step”, “Bodysnatchers”, “Nude”, “Weird Fishes/Arpeggi”, “All I Need”, “Faut Arp”, “Reckoner”, “House of Cards”, “Jigsaw Falling into Place” e “Videotape”.
Além do disco em formato digital, é possível também comprar um pacote “master”, que inclui o download de “In Rainbows” em MP3 e, em dezembro, o envio de dois CDs, dois discos em vinil e um livreto com fotos e textos inéditos, por cerca de R$ 150,00.
‘Anticanção’
O sétimo disco de estúdio do Radiohead demonstra que a banda resolveu retomar o caminho das experimentações e texturas sonoras iniciado com “Kid A”, em 2000, deixado um pouco de lado a favor das canções tradicionais em “Hail to the Thief” (2003). Dentre as dez faixas do novo álbum, não há nenhuma com um acento mais pop ou que seja de fácil “assoviação”.
“15 Steps” (prima distante de “Idioteque”), “Bodysnatchers” e “House of Cards” são as três faixas que mais se aproximam de algo que pode ser chamado de rock’n’roll. “Videotape” e “All I Nedd”, por outro lado, são bastante lentas e melancólicas, enquanto a curta “Faust Arp” reforça a capacidade da banda em criar coisas belas.
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Qualidade do som
O guitarrista do Radiohead Johnny Greenwood respondeu na imprensa inglesa às críticas à qualidade de som das faixas do CD “In Rainbows”, oferecidas na Internet para download pago desde anteontem. Fãs disseram que o grupo deveria ter oferecido o download com várias opções de definição de áudio.
“Só queríamos (a banda) que fosse um pouco melhor que a (qualidade) do iTunes, e de fato é, o que já é o suficiente”, afirmou Greenwood. As dez faixas do sétimo álbum da banda foram disponibilizadas em 160 kbps, ou seja, inferior à qualidade de um CD – equivalente a 192 kbps.