Economia & Negócios

Troco de R$ 0,01 lesa consumidor

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

Se não bastassem as perdas com os impostos e com a contestada e polêmica Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o consumidor também tem sofrido prejuízos inclusive na hora de receber o troco da compra do supermercado e lojas em geral. Em vez de moedas, os estabelecimentos pagam os clientes com balas, chicletes e até mesmo com caixas de fósforo.

As pessoas reclamam que esse tipo de situação acontece com freqüência, principalmente porque os preços dos produtos são quebrados, o que dificulta o troco tanto para o consumidor quanto para o vendedor.

Basta sair às compras para comprovar que essa situação existe e pode desfalcar, e muito, o bolso. O comerciante Antônio Joaquim Gonçalves conta que já perdeu muito dinheiro em razão de receber doces e outros produtos no lugar do dinheiro. Segundo um cálculo estimado, feito por ele mesmo, o desfalque em seu bolso chega a ser de aproximadamente R$ 3,00 por mês.

“É um valor que faz a diferença na carteira da gente. É um absurdo, mas já recebi troco em caixa de fósforo. E não adianta brigar. Para não perder, acabo aceitando”, reclama. Gonçalves conta que um caixa de supermercado já tentou voltar em bala para ele um troco de R$ 0,20.

Para evitar esse tipo de transtorno na hora de pagar a compra, o comerciante tem se precavido, levando sempre na carteira moedas de baixo valor. “Hoje, tento facilitar o troco ao máximo, mas nem sempre é possível, porque as moedas de um centavo, que são as mais necessárias, também são as mais escassas”, pontua Gonçalves.

O tecnólogo mecânico João Luiz de Oliveira Borges também já amargou perdas na hora de receber troco no comércio. “Já até perdi as contas”, completa. O mais comum, segundo ele, é os comerciantes lançarem mão das balas para ressarcir o cliente.

Na opinião de Borges, os supermercados, em especial, lucram muito com essa prática. Ele estima que, em alguns casos, a empresa consiga pagar um funcionário em três dias só com a retenção dos centavos na hora de voltar o troco. “Não tenho nenhuma pesquisa em mãos, mas se levarmos em consideração que um supermercado venda cerca de 20 mil itens por dia e fique com alguns centavos a mais de cada um deles, é possível cobrir a folha de pagamento de um funcionário em muito pouco tempo”, acrescenta.

É importante também que o consumidor fique atento nos bancos, que têm o hábito de não voltar troco ao cliente quando o valor é baixo.

Aceitação

Apesar desse problema atingir a maioria das pessoas, são poucas as que exigem seus direitos de receber o troco em dinheiro.

Borges mesmo, admite aceitar a bala no lugar das moedas. “Infelizmente, a gente acaba aceitando para não arrumar confusão. Ninguém vai armar um barraco no supermercado por causa de um centavo, mesmo sabendo que está errado em aceitar o doce no lugar do dinheiro. Admito, somos muito passivos nessa questão”, ressalta o tecnólogo.

Na opinião dos consumidores, os preços dos produtos, inclusive nos supermercados, deveriam ser menos quebrados. Eles sugerem, por exemplo, que um pacote de biscoito que custe R$ 1,99, seja arredondado para R$ 2,00. “Ninguém vai voltar um centavo para você num caso como esse. O consumidor acaba perdendo. Então, a solução que vejo é arredondar o valor”, sugere Borges.

De acordo com o coordenador do Procon em Bauru, Amauri Roma, a prática de voltar qualquer produto como troco é abusiva e deve ser levada ao conhecimento do órgão.

“O comerciante tem a obrigação de ter o troco em moeda, mesmo porque ele também não vai aceitar bala do consumidor como troco. Esse ato é condenado pelo Procon”, destaca. Conforme Roma, as empresas que forem denunciadas ou flagradas lesando os clientes dessa maneira podem ser autuadas, sendo obrigadas a pagar valores que variam entre R$ 200,00 e R$ 3 milhões.

Roma lembra que se a empresa não tiver o troco em dinheiro para voltar ao cliente, deve arredondar o valor da mercadoria para baixo. Em Bauru, o Procon atende no Poupatempo e através do telefone (14) 3366-6050.

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