Economia & Negócios

Casa paga em 30 anos encarece 32%

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

Recentemente, a Caixa Econômica Federal e o banco Santander estenderam seus prazos de financiamento de imóveis para até 30 anos. A medida permite às instituições abocanhar mutuários de baixo poder de aquisitivo, seduzidos pela oportunidade de adquirir a residência própria pagando parcelas relativamente baixas. A oferta tem uma contrapartida, que é gradativamente sentida no bolso. Aumentando o parcelamento de 20 para 30 anos, uma casa de R$ 50 mil não sairá por menos de R$ 66 mil após a quitação da dívida.

Em um dos bancos que disponibilizam o parcelamento a longo prazo, a mensalidade base para um imóvel de R$ 50,6 mil é de R$ 600,00 no plano de 20 anos e R$ 529,00 no de 30 anos. A redução é de 12% no valor mensal da dívida, mas o preço final do imóvel ficará 32% mais alto. Isso tudo sem contar a variação da TR, que gira em torno de 1,2% ao ano, despesas e taxas posteriores, como pagamento de 5% do valor venal da casa no momento do registro da escritura.

A vantagem em optar por um financiamento longo é a oportunidade de fugir do aluguel e pagar uma razoável parcela para adquirir a casa própria. O problema ocorre quando o mutuário não amadurece bem a idéia antes de fechar o negócio. A falta de planejamento pode prejudicar o orçamento doméstico, principalmente no caso de pessoas que não têm perspectiva de aumento nos rendimentos, já que as reposições salariais não acompanham os reajustes feitos pelas instituições financeiras.

Para o economista Reinaldo Cafeo, a melhor opção para quem compra qualquer produto a prazo é sempre optar por pagar no menor prazo de tempo possível. “Qualquer financiamento é um plano de amortização que parte de um saldo devedor. Quando o prazo estica, a parcela diminui, mas em contrapartida o valor pago ao final cresce”, explica.

O economista atenta para outro fato curioso. As pessoas com idade avançada devem sempre optar por pagar financiamentos imobiliários no maior prazo possível. “Esses contratos são vendidos sempre com um seguro habitacional incluso. Nesse caso, so mutuário responsável pela prestação vier a falecer, a dívida é amortizada”, explica Cafeo.

Quem entra num financiamento a longo prazo também deve ficar atento aos contratos e verificar todos os métodos de reajuste e taxas cobradas pelos bancos. Segundo o advogado Ricardo Bastos, que atua na área de direito imobiliário, é grande o número de pessoas que o procuram para mover ações contra aumentos considerados abusivos nas prestações, bem como distorções na aplicação das fórmulas de juros.

“Geralmente o mutuário só percebe que está sendo lesado quando as prestações cobradas aumentam e a dívida total baixa pouco”, revela.

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Financiamentos triplicam

De acordo com o gerente da agência Centro da Caixa Econômica Federal, Nelson Antônio Calsavara, após a divulgação pelo banco da nova opção de financiamento em até 30 anos, o número de pessoas interessadas em adquirir a casa própria triplicou. “Os imóveis mais procurados estão na faixa de R$ 50 mil”, revela.

Para ele, esse interesse ocorre porque a parcela do plano mais longo cabe no orçamento familiar. “O objetivo da instituição é proporcionar ao maior número de famílias possível a oportunidade de adquirir sua casa. Nesse caso específico o comprometimento de renda é menor, o que facilita na hora de tomar a decisão”, aponta.

Com relação ao aumento do valor da dívida no caso dos planos mais longos, Calsavara explica que é algo comum no meio financeiro. “Fazer uma comparação entre o valor de um imóvel e o de uma dívida não é algo palpável, já que o financiamento fica restrito à esfera monetária. A pessoa faz esta escolha exatamente quando não dispõe do dinheiro para pagar o imóvel. Num financiamento é evidente que, quanto mais longo ele for, mais dinheiro a pessoa irá despender no final”, pondera.

No País, o volume de financiamentos imobiliários com recursos da poupança bateu recorde em setembro. A modalidade cresceu 136,89% em comparação com o mesmo período do ano passado. O montante emprestado somou R$ 1,85 bilhão no financiamento de 18.170 imóveis, de acordo com dados da Associação das Entidades de Crédito Imobiliário (Abecip).

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