Representantes de diversos segmentos da sociedade entrevistados pela reportagem do JC são unânimes ao afirmar que os jovens devem ser estimulados a se interessar pela política. Um dos que defendem essa idéia é Luciano Olavo da Silva, bacharel em direito especializado em direito eleitoral, analista judiciário da Justiça Eleitoral e chefe de cartório da 23.ª Zona Eleitoral de Bauru.
Ele discorda da alegação de que os jovens não se interessam pela política, pois considera que a juventude não é estimulada a gostar do assunto. “O jovem, como qualquer pessoa, se interessa pelos assuntos que lhe são cotidianos e têm algum conhecimento. O assunto político é retirado da ordem do dia e aí ele passa a não ter conhecimento a respeito do que está ocorrendo, para entender os fatos ocorridos e divulgados na mídia de maneira muito superficial e distante”, frisou Silva. E acrescentou:
“O desinteresse do jovem, que de fato existe, não é algo íncito dele, mas sim algo fomentado pela falta de informações, como seria com qualquer assunto. Vejo a questão como pedagógica, e não como atributo negativo do jovem. Tecnicamente ele é alienado, mas não por escolha, e sim porque foi produzida nele uma alienação. E a total falta de conhecimento produzida nele faz com que cada vez mais não queira saber do assunto. É uma questão de inserir esse assunto no cotidiano deles, o que poderia ser feito nas escolas através de uma matéria dirigida para esse tipo de conhecimento.”
Já Luiz Alfredo Rodrigues de Sant’anna, integrante da juventude peesedebista, segue igual raciocínio e cobra a conscientização dos jovens. “O jovem não é educado para votar e ele não se interessa porque acha que isso não é assunto dele, mas tudo na vida das pessoas envolve a política. O jovem tem de se conscientizar de que as atividades dos parlamentares refletem em tudo o que se passa na vida das pessoas. A partir do momento que ele se enxergar como parte integrante desse cenário de uma sociedade que precisa ser representada, ele vai fazer valer seu direito e votar”, sustentou.
Por fim, Edilson Rodrigo Marciano, presidente do Diretório Acadêmico 9 de Julho, da Instituição Toledo de Ensino (ITE), defendeu que o jovem não é alienado. “Ele é desmotivado. O jovem é uma esponja que absorve o que se apresenta a ele. Se são apresentados aspectos negativos da política e dos políticos, eles absorvem isso. Temos de mostrar para o jovem que ele só vai conseguir resolver os problemas sociais e econômicos através do voto. A atual conjuntura política nacional realmente não colabora, mas o que não pode deixar é morrer a esperança dentro de cada um. Temos de lutar pelo que acreditamos”, salientou.
Marciano também criticou a inércia dos movimentos estudantis em desenvolver a politização da juventude. “Falta conscientização do movimento estudantil em desenvolver essa política para conscientizar. O estudante tem de se conscientizar da importância do voto, pois foi um direito difícil de ser conquistado”, concluiu.