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Após 1 ano, aeroporto segue indefinido

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Sem saber ao certo o que vai ser quando crescer, o Aeroporto Estadual Moussa Nakhl Tobias completa um ano de operações nesta terça-feira. Apesar do futuro indefinido, ele tem motivos para comemorar o presente. Não propriamente o aeroporto, mas seus usuários e vizinhos.

Desde que saiu do Aeroclube e foi para a divisa entre Bauru e Arealva, o aeroporto viu aumentar o assédio de companhias aéreas interessadas em pousar suas aeronaves na pista novinha em folha. Com isso, o preço das passagens caiu drasticamente e as opções de horário e destino aumentaram. Por causa de suas pistas mais espaçosas, o novo aeroporto passou a receber também aeronaves maiores, como o Boeing 737-300 da BRA, com 148 assentos, destinado apenas às viagens de passeio. Dessa forma, quem adquire pacotes turísticos com destino a Porto Seguro, na Bahia, não precisa mais ir até Ribeirão Preto, Campinas ou São Paulo.

Mesmo quem não tem nenhuma necessidade de voar lucrou com a chegada do Aeroporto Moussa Tobias. É o caso dos proprietários de terra vizinhos ao terminal que, de saída, viram seus patrimônios valorizar pelo menos 100%. Segundo o corretor de imóveis José Martinho Teixeira da Silva, a valorização será ainda maior quando o aeroporto deslanchar. Por enquanto, a movimentação de passageiros no local ainda é pequena se comparada a outros aeroportos de mesmo porte.

De acordo com estatística do Departamento Aeroviário de São Paulo (Daesp), no último mês de agosto embarcaram ou desceram no aeroporto de Bauru 5.564 passageiros. No mesmo período, o aeroporto de São José do Rio Preto recebeu 21.486 pessoas. Mesmo o aeroporto de Araçatuba, cidade menor que Bauru, teve uma movimentação maior, 7.332 passageiros. No acumulado desses 12 primeiros meses de operação, passaram pelo Aeroporto Moussa Tobias cerca de 35 mil pessoas, segundo o Daesp.

A partir do momento em que a movimentação no local aumentar, o interesse pela abertura de negócios próximo ao aeroporto crescerá na mesma proporção, segundo Martinho. Em um ano, o único empreendimento que “decolou” ao redor do aeroporto foi uma churrascaria.

Na avaliação do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Walace Sampaio, ainda é muito cedo para que outros investimentos deslanchem naquela região, principalmente por ser uma área rural. O lote mínimo que pode ser vendido na zona rural, com direito a escritura, é de dois hectares ou 20 mil metros quadrados. Após a valorização provocada pela chegada do aeroporto, um lote está sendo vendido a R$ 40 mil, no mínimo. É o dobro do que valia antes.

“Para um empresário fazer um investimento assim, tem de ser em torno de algo consolidado, que ofereça perspectiva de retorno”, afirma Martinho.

Estímulo

Walace Sampaio acredita que a abertura de novos negócios naquela região ganhará um estímulo muito grande quando for aprovado o Plano Diretor. Ele lembra que o plano prevê a transformação em área urbana dos 500 metros de cada lado da rodovia Cezário José de Castilho (Bauru/Iacanga). A idéia é incentivar a ocupação daquela faixa de terra por estabelecimentos comerciais e industriais.

Se isso acontecer, ao invés do lote mínimo ser de 20 mil metros quadrados, ele passaria a ser de apenas 1 mil metros quadrados, um tamanho mais apropriado para atividades que não sejam pecuária ou agricultura.

De acordo com o economista Reinaldo Cafeo, o desenvolvimento ao redor do aeroporto também depende muito do tipo de operações que serão realizadas ali.

Se a movimentação maior for de passageiros, a tendência é que haja um avanço no número de estabelecimentos comerciais. Se, por outro lado, prevalecer o transporte de cargas, o interesse será maior para a construção de indústrias e depósitos.

Segundo o secretário municipal, já houve um certo interesse de empresários em construir depósitos para armazenar mercadorias e depois despachar pelo aeroporto, mas a indefinição sobre se o aeroporto dará prioridade a cargas ou a passageiros, desanimou os interessados.

Na opinião de Cafeo, para a região, o mais interessante seria se o aeroporto passasse a priorizar o transporte de cargas. Nesse caso, haveria mais emprego e renda e os efeitos positivos seriam maiores se comparados com um terminal predominantemente de passageiros.

Para a delegada do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), Wânia Porto, o ideal é conciliar os dois transportes: de cargas e de passageiros. Juntos, eles dariam uma contribuição muito grande para o desenvolvimento de Bauru e cidades próximas.

Procurado pela reportagem do Jornal da Cidade, o Daesp não havia se manifestado até sexta-feira à noite sobre o provável futuro do aeroporto Moussa Tobias. Independentemente do rumo que o terminar tomar, uma coisa é certa, segundo Cafeo. É preciso paciência. “Temos que trabalhar forte para que esse um ano de aprendizado possa ser alicerce para os próximos dez anos. Não dá para pensar numa viabilidade para um aeroporto como esse para o ano que vem. Ela tem de ser construída ao longo do tempo. Se outros locais, como Campinas, demoraram cerca de dez anos, Bauru também terá de passar por isso”, aponta o economista.

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