O comandante interino do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPMI), major Nélson Garcia Filho, nega que a tropa de elite da cidade, a Força Tática, passe por problemas ou não esteja preparada para atuar. Ele afirma que os novos integrantes foram escolhidos “a dedo” pelo comando, na época, e todos têm conhecimentos que não foram revelados publicamente.
“O perfil de cada um foi avaliado com muito cuidado e eles estão preparados, sim, para ações de vulto, se e quando elas ocorrerem em Bauru ou nas cidades abrangidas pelo Batalhão. Muita gente não se conhece. Então, um policial não pode dizer que o outro está preparado ou não para desempenhar essa ou aquela função. É até antiético.”
Questionado sobre o motivo da convocação - e não escolha por voluntariado, como prega a primeira filosofia do Tático -, major Garcia disse que, naquele momento, a polícia passava por um momento difícil, “com enfoque negativo por parte da mídia”, por conta da morte do mecânico Jorge Luiz Lourenço, 22 anos, no início de abril, durante perseguição policial. Lourenço foi atingido por um tiro na cabeça e os policiais acusados haviam sido afastados e eram investigados. Portanto, não havia outra saída.
Ele diz que o comando sabe que há descontentamentos e não vê problema em realizar mudanças, se necessário. “Trabalhamos dentro do ciclo PDCA: projeto, desenvolvimento, controle e alteração. E alterações já foram feitas, sem prejuízos. E serão feitas quantas vezes e em qualquer setor onde seja necessário”, coloca.
O comandante garante que a morte de Lourenço foi o estopim para que as mudanças, que já vinham sendo preparadas, fossem apressadas. “Estava na hora de mexer. Os policiais estavam há muito tempo na mesma função, no mesmo lugar, e isso não é bom em nenhuma profissão”, argumenta. O major não confirma, mas há informação extra-oficial de que alguns ex-policiais do Tático estariam fazendo “bicos” durante o horário de trabalho. Em conseqüência, eles se recusariam a sair de suas áreas de atuação para outras, como por exemplo, ações nas cidades da região, já que o Tático atende as 19 cidades abrangidas pelo Batalhão.
Major Garcia não desmente a informação de que o Tático, de maio para cá, quando foram efetuadas as mudanças, está desenvolvendo um trabalho mais “light”, mas nega que a população esteja perdendo com isso. Ele justifica que essa é uma conduta geral da Polícia Militar. “Combater e baixar a criminalidade interessa mais, hoje, do que uma grande apreensão”, diz.
Ele, porém, não esconde que os policiais estão “mais cautelosos” após o episódio que culminou com a morte do mecânico Lourenço. Para ele, há um “freio psicológico natural”, mas não há qualquer relação com a suposta falta de experiência ou descontentamento das novas equipes.
A falta de ostensividade apontada por ex-membros do Tático não existe, na opinião de Garcia. Eles diz que os policiais tem participado normalmente de operações por toda a cidade e o trabalho com a inteligência foi intensificado para resultados mais efetivos.
Sobre o boom de ocorrências de furtos e roubos de veículos nos últimos três meses na área do Batalhão, major Garcia lembra que eles ainda se mantém abaixo daquele registrado em 2006, conforme o JC publicou no último dia 18, mesmo com o crescimento da frota de veículos, que acompanha o aumento da população. Garcia lembra que, ainda segundo os dados da PM, de todas as cidades do Estado com população superior a 300 mil habitantes, Bauru é a que possui o menor índice de roubos e furtos de veículos. Números divulgados pela polícia apontam que para cada 100 mil pessoas, ocorrem 115,9 furtos e roubos na cidade. Num centro como São José do Rio Preto, por exemplo, o número chega a 327,8. Já em Campinas, município com alto índice de violência e detentor da maior média do Interior, são 499,3 casos para cada 100 mil habitantes.
Hoje, segundo Major Garcia, a tropa de elite da cidade trabalha mais na prevenção de crimes e ele não vê problemas nisso. Para ele, é natural que mudanças provoquem questionamentos e descontentamentos e reforça a tese de que hoje, “polícia boa é a que baixa crimes, não a que prende mais”. Major Garcia garante que os policiais estão preparados para agir a qualquer momento e que Bauru não perdeu sua tropa de elite.
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O que é Força Tática
A Força Tática do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPMI) tem hoje 107 policiais, entre sargentos, cabos e soldados. É composta pela Cavalaria, Canil, Tático 4 Rodas e Tático 2 Rodas (Rocan). O Tático 4 Rodas é o que agrega o maior número de policiais: são seis equipes trabalhando por dia em horários alternados entre manhã, tarde e noite. Em cada viatura, obrigatoriamente deve haver três policiais altamente treinados e fortemente treinados - pistola ponto 40, arma calibre 12, puma 38, metralhadora, tonfa (parecida com o cassetete) e gás pimenta.
Para ser um policial da Força Tática os principais requisitos são voluntariado, aptidão e inteligência policial. É o policial que mais precisa estar comprometido com a instituição, já que não tem horário fixo de trabalho. Ele é chamado para ação a qualquer dia, em qualquer horário. Só é dispensado, se convocado, em casos muito especiais. A tropa está ligada diretamente ao comando.
O embrião da Força Tática surgiu em 1985, com a criação do Grupo de Operações Especiais, com doutrina do FBI (o Federal Bureau of Investigation ou Departamento Federal de Investigação, órgão dos EUA que faz o papel de Polícia Federal daquele país) e sistema tático da Swat (Special Weapons And Tactics ou Armas e Táticas Especiais, nome mais comum nos EUA para uma unidade de polícia especializada e treinada para executar operações de risco com utilização de armas não-convencionais).
Depois, em 1989, foi criado o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), que abrigava um pequeno contingente de policiais, mas com treinamento e armamento especiais. Nessa época, o comandante da polícia em Bauru, Alexandre Canova, enviou dois tenentes (Nélson Garcia Filho e Daniel Cinto) para realizar os cursos do Gate e do COE, em São Paulo. Na volta deles, foi implantado o Tático-4, em 1991, antes denominado Patrulhamento de Tático Móvel.
Policiais da Força Tática recebem treinamento especial para ações de prevenção setorizada, com repressão ao crime organizado ou em locais com alto índice de crimes violentos, ocorrências de vulto, eventos esportivos e culturais de importância, controle de tumultos. Estão diretamente ligados ao comando da corporação e podem atuar em todas as cidades abrangidas pelo Batalhão. No caso do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM/I), com sede em Bauru, são 19 municípios: Bauru, Piratininga, Pirajuí, Reginópolis, Balbinos, Presidente Alves, Avaí, Lençóis Paulista, Agudos, Duartina, Ubirajara, Lucianópolis, Cabrália Paulista, Borebi, Paulistânia, Pederneiras, Arealva, Iacanga e Macatuba.