Amante da liberdade, avesso a demagogias e verdades impostas, o arquiteto Fernando Ferreira de Pinho acreditava que qualquer regime ditatorial de esquerda ou direita limitava o pensamento, afirma o economista e filho Fernando José Martha de Pinho. “O único crédito que ele dava ao regime de direita era: ‘Se você não gosta, vá embora’”, acrescenta Francisco Roberto Martha de Pinho.
Antes de buscar a liberdade e o amor - por Maria de Lourdes - no Brasil e deixar os pais e dois irmãos em Portugal, o arquiteto Fernando de Pinho passou por uma experiência-limite: serviu ao Exército Português durante a Segunda Guerra Mundial. Foram oito meses em uma base aliada na ilha de São Miguel, no Arquipélago dos Açores.
“Ele contava que tinha o luxo de dormir em um quarto porque era oficial, mas com uma pistola automática debaixo do travesseiro e uma metralhadora ao lado da cama”, lembra Francisco. Os irmãos Fernando e Francisco lembram que o pai contava os apuros da guerra. Apesar de não ter entrado em combate, havia as patrulhas e, vez por outra, os alimentos não chegavam até as bases aliadas nos Açores e os soldados se viravam com o “banacau”, um preparado de achocolatado e frutas nativas.