Tribuna do Leitor

Um lamento


| Tempo de leitura: 3 min

Saio pela porta da frente de minha casa e em plena meia quinzena de outubro, sinto o vento forte que vem do sudeste. Nos meus tempos de criança, agosto era o mês de soltar papagaio, só depois virou pipa. Os ventos de agosto invadem a segunda quinzena de outubro. O chão seco é ainda violado pelos ventos que retiram dele qualquer umidade trazida pelas madrugadas. Nosso clima está quase sendo comparado ao semi-árido, quando tudo estava bem tínhamos o verão chuvoso, as chuvas iniciavam em outubro, mês de se plantar milho, e iam até março fechando o verão, como dizia o poeta. As chuvas estão cada dia menos constantes nesse período. Já há estudos de institutos ligados a meteorologia que comprovam a nossa perda hídrica pluvial. Bauru já é um caso de estudos com relação ao fato de que as chuvas se desviam de nossa cidade.

O chão cada dia mais seco fica mais impermeável e grande volume de água em pequenos períodos de tempo, chuvas fortes e rápidas, pode causar sérios danos à cidade.

Nossa cidade já tem baixo índice de áreas verdes. Reflorestar é muito complicado principalmente num pais pecuarista como o nosso, variedades de capim transitam pelo pais todo para formação de pastos. Bauru há quarenta anos atrás não tinha colonião e braquiaria imperava o nosso capim o “margoso” com suas hastes longas e pendão de sementes, hoje uma raridade.

Reflorestar áreas abertas onde essas gramíneas algumas delas retiradas das savanas africanas, dominam o espaço é muito difícil e oneroso. Savanas são savanas porque o capim domina o terreno mesmo com o fogo elas se revigoram. Nossas áreas de floresta são invadidas perifericamente por essas gramíneas que quando pegam fogo destroem as bordas das matas invadindo-as centímetro por centímetro. Digo isso porque temos florestas maravilhosas em nosso município e ele, há muitos anos, cresce sobre essas matas.

Sou um crítico da evolução do crescimento do câmpus da própria Unesp sobre essa mata. Essa universidade deveria estudá-la e não destrui-la como vem fazenda há tantos anos com o seu crescimento horizontal. Gostaria muito de ver alunos do curso de biologia estudando e catalogando as espécies dessa floresta que é um bem dado pela natureza ao nosso município.

Posso imaginar quando os fundadores de Bauru aqui chegaram pela primeira vez, devem ter escolhido esse lugar por causa das matas e águas. Bauru é um grande vale rodeado de pequenas colinas e pequenos vales onde em cada vale existia um córrego.

Você fundaria um lugarejo, naqueles tempos, onde não existisse água e florestas? Como você viveria nos primeiros meses? Estamos vivendo dessas matas e águas há muitos anos. Precisamos olhar com mais carinho para isso. Transformamos os nossos lindos córregos e veios de esgoto. Assim que vejo hoje minha querida Bauru. É dessa forma que apelo ao nosso querido prefeito. E que ele se lembre do meu apelo, enquanto candidato, no debate no SESC, que fiz para que salvasse a floresta que margeia a avenida Luiz Edmundo Coube quando me ouviu e deu idéias de como preserva-la.

Apelo também a nossa Câmara. Paulão, me permita pelo tempo, não existe um único modelo de desenvolvimento. Diferenciais trazem valores, todos sabem disso. Como disse Cezar Camargo Mariano no seu show em Bauru, há uma cidade americana que decidiu crescer preservando a floresta sem destrui-la e que hoje isso lhe dá um valor inestimável. Só quero minha Bauru mais linda, mais verde, com ares e chuvas agradáveis. E que Deus tenha compaixão de nós e que perdoe nossos pecados para com a nossa mãe natureza que lhe deu seis dias de trabalho.

Antonio Sergio Sanches

Comentários

Comentários