Bairros

Bauru, uma cidade em reconstrução

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

Bauru é uma cidade mutante. Basta uma rápida olhadela para notar que, sem alarde, ela está em ‘reconstrução’. O grande número de demolições, a renovação das fachadas e até mesmo a escolha por cores mais alegres nos muros de inúmeros imóveis indica essa mudança.

Para se ter uma idéia de quanto a fachada de Bauru está mudando, de janeiro a setembro deste ano a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) registrou 135 pedidos de demolição de imóveis, uma média de 15 demolições por mês. Os números representam bem o que está ocorrendo com Bauru: uma mudança silenciosa e discreta.

Outro viés dessa tendência pode ser expresso pelas cores, que ajudam a transformar totalmente os imóveis, tornando-os mais vivos. Esta aliás, parece ser a tendência, pelo menos até o próximo ano, conforme Edson Andries Cazelato, gerente de uma loja de tintas na cidade.

Se em alguns casos foi apenas uma mudança de cor, em outros o que chama a atenção são as novas fachadas, que tomam conta de locais onde as pessoas já tinham se acostumado com o visual.

Por isso, quem conheceu a Bauru de alguns anos atrás sabe que muita coisa já não está mais como era antes. Nem é preciso ir muito longe no tempo para perceber mudanças estruturais que fazem parte da vida da cidade. Um bom exemplo é o Hospital Estadual, cujas obras foram paralisadas em 1994 e só foram retomadas em 2001. O que era um grande esqueleto hoje atende milhares de pacientes por mês.

Aliás, a região onde está situado o câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) foi uma das que sofreram mudanças significativas nos últimos anos. Além do Hospital Estadual, recebeu a sede do 4o Batalhão de Policiamento Militar do Interior (BPMI 4) e as casas do Jardim Colonial, onde, antigamente, não havia nenhuma construção.

No entanto, essas são mudanças visíveis, feitas com alarde pelos órgãos públicos e pela iniciativa privada para atrair atenção dos munícipes. Junto a elas, as mudanças de cores, fachadas e demolições, mais discretas, ajudam a imprimir um novo ritmo à vida de cada pessoa e, conseqüentemente, acabam por reforçar a idéia de que Bauru é uma cidade em reconstrução.

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Demolições

Ainda que sem o alarde das grandes obras, a demolição de casas mais antigas, que dão lugar a outro tipo de imóvel, é outra mudança que pode ser percebida na cidade. Na avenida Duque de Caxias, por exemplo, na quadra 12, foram feitas duas demolições recentemente. Uma delas já está em obras novamente e será um posto de gás natural. Outro local que teve sua fachada completamente modificada foi uma residência antiga localizada na quadra 22 da rua Araújo Leite.

Esses são apenas alguns exemplos. Há muitos outros espalhados pela cidade. Tais mudanças não causam grande impacto na vida da cidade, a não ser que se tratem de locais tradicionais, como a Farmácia Terra Branca, que funcionava na rua Antônio Alves, e cujo prédio foi demolido. De acordo com os vizinhos, um dia chegaram e tudo estava fechado. Hoje, o prédio está no chão.

Para o diretor regional do Sindicato das Indústrias da Construção Civil de São Paulo (SindusCon), Ralph Ribeiro Júnior, as demolições refletem a dinâmica natural de uma cidade de médio porte como Bauru. A mudança mais significativa nesses casos, diz ele, é justamente o fato de uma casa ou estabelecimento comercial deixar de existir.

Na opinião do diretor regional do SindusCon, uma obra que vai mudar a cara de Bauru é a construção do prédio novo do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), onde funcionarão os cursos de construção civil. “A construção civil cumpre um papel social significativo. Então a mudança não será só na fachada, mas haverá grande impacto nas questões sociais”, afirma.

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Revitalização do Centro

Uma das grandes preocupações dos bauruenses é melhorar a fachada do Centro. O que já foi um local glamoroso, por causa da ferrovia, hoje está abandonado. Mas esta realidade pode mudar, de acordo com o diretor regional do Sindicato das Indústrias de Construção Civil de São Paulo (SindusCon) Ralph Ribeiro Júnior, membro do Grupo Pró Bauru (GPB).

O que está por vir, segundo ele, é uma nova fachada no Centro da cidade. Ribeiro aponta que nas próximas semanas o Grupo Pró Bauru deve apresentar o resultado de um estudo sobre a revitalização do Centro, o que deve dar uma nova cara a um dos pontos mais movimentados do município.

Pesquisa realizada a pedido do grupo mostrou que violência, trânsito caótico, sujeira e escassez de atividades culturais e esportivas estão entre os problemas mais apontados pelos cidadãos. Com base nesses dados, o GPB planeja uma campanha de sensibilização social para tentar reverter esse quadro.

O diretor do SindusCon destaca que a administração pública deu o primeiro passo, defendendo a restauração das casas antigas no Calçadão, referência comercial da cidade. “Mas o Centro vai muito além do Calçadão e o grupo quer mostrar à população que todos precisam se unir para tornar essa região viva novamente. É um trabalho de melhoria contínua e que só poderá dar certo se houver envolvimento de todos e mais: a partir de agora com ações efetivas, pois o diagnóstico está pronto”, comenta.

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