Botucatu – Projeto elaborado por aluno da Unesp de Botucatu foi escolhido como um dos finalistas de prêmio nacional patrocinado por uma instituição financeira. Diego Cunha Zied, pós-graduando em Energia na Agricultura pela Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Federal de São Paulo, câmpus Botucatu, adaptou um sistema de cultivo de cogumelos comestíveis que possibilita a utilização de resíduos agrícolas e agroindustriais.
O cogumelo em questão é o Pleurotus ostreatus, conhecido popularmente como shimeji. O diferencial do sistema de produção desenvolvido pelo aluno em relação ao tradicional é que o produto é cultivado em resíduos agrícolas e agroindustriais que, na maioria das vezes, são queimados ou descartados no meio ambiente.
Zied explica que esteve na Rússia em 2005, onde acompanhou o processo de produção de cogumelos e adaptou o sistema às condições do Brasil. Segundo ele, apesar da técnica não ser nova (existe desde a década de 1930), até então ela não havia sido introduzida no País. “Acompanhei muito o cultivo dele na Rússia. Lá, a matéria-prima era totalmente diferente, era carvalho, aqui nós usamos serragem de eucalipto”, conta.
Além disso, segundo Zied, foi feita uma climatização da espécie no Brasil, já que a umidade relativa do ar e a temperatura são totalmente diferentes de outros países que cultivam este cogumelo, como por exemplo Europa, China e Japão. No sistema de cultivo tradicional, utilizado hoje no Brasil, a produção leva de 30 a 35 dias para estar completa.
“Este cogumelo é muito cultivado (no Brasil) na forma de substrato compostado e fermentado. Então, demorava um tempo maior para se chegar ao período de compostagem, à fermentação do substrato, e tinha um tempo de produção maior”, explica. Com a nova técnica adaptada pelo estudante, o período de cultivo agora passa a ser menor. “O período de produção dele, que nós mantemos, é no máximo 12 dias. É bem menor que o tradicional”, comenta.
Produtividade
A produtividade, em comparação com o sistema tradicional, é 2% a 3% menor. Apesar disso, Zied lembra que o produtor ganha na rotatividade da produção já que no novo sistema o cultivo é mais rápido.
“Com 12 dias você está descartando. No outro sistema, demora 35 dias para ter de 2% a 3 % a mais de produtividade. Para fazer um ciclo de produção e fechar o ciclo com o que isso ia produzir se teria 23% a mais de produção, no mesmo lugar na mesma área. Ou seja, com 35 dias se faz dois cultivos e meio”, completa.
Ele lembra que este tipo de cogumelo pode se desenvolver, além da serragem, no bagaço de cana, palhas de gramíneas, palha de trigo e de aveia. De acordo com o estudante, já existe produção em escala comercial do cogumelo, com esta nova técnica, feita por um fungicultor de São Paulo. “É um produtor que eu dou assistência e estamos introduzindo a técnica lá e está praticamente estabelecida. A demanda deste produto é muito alta”, ressalta.
“A utilização do shimeji na biotecnologia é tão fascinante que este cogumelo é capaz de se tornar um alimento riquíssimo, nutritivo, saboroso, orgânico e com algumas propriedades farmacológicas e medicinais, mesmo se desenvolvendo em materiais inorgânicos”, completa o pós-graduando.
Finalista
O trabalho do estudante, intitulado “Cogumelo: aaúde & vida natural”, está entre os finalistas da terceira edição do Prêmio Santander de Empreendedorismo, na categoria Biotecnologia.
Zied concorre com outros 23 projetos finalistas de estudantes de graduação e pós-graduação de todo o País. A premiação final será realizada no dia 29 de novembro, em Brasília. Antes, porém, haverá premiações regionais em Porto Alegre (24/10), São Paulo (29/10) e Rio de Janeiro (31/10).
Os vencedores receberão prêmios no valor de R$ 50 mil para viabilização do projeto, além de certificado e troféu.