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‘Nascidos em Bordéis’ retrata desesperança

Por Cristina Fibe | Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Criança acorrentada, trabalhando, apanhando; sujeira, analfabetismo, prostituição e drogas. Os “Nascidos em Bordéis” retratados neste documentário, vencedor do Oscar em 2005, transmitem a desesperança que os indianos filhos de prostitutas, muito jovens, já sabem que precisam encarar. Dirigido por Zana Briski e Ross Kauffman, o filme acompanha oito crianças, de 10 a 14 anos, que moram em bordéis em que as mães trabalham, gritam e deseducam.

As “mulheres da vida”, como são chamadas, ariscas, não receberiam bem as câmeras dentro de suas vidas. Por isso, os diretores vêem nas crianças a forma de desenhar o cotidiano do submundo de Calcutá. Em troca, elas aprendem um ofício. Enquanto têm aulas de fotografia e edição, durante ao menos dois anos, fazem imagens dos adultos e suas ilegalidades e abrem as portas para as câmeras dos estrangeiros. Esses, cheios de boa intenção, esforçam-se para mudar o destino traçado e procuram, sem sucesso, internatos que resgatem os futuros adultos dos bordéis.

Fora de lá, essas crianças abrirão espaços para as próximas, que certamente virão. Não muito distante da realidade brasileira, o documentário, exibido hoje no GNT, à meia-noite, é um pedido de socorro de quem sabe que o futuro não guarda promessas.

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