São Paulo - Lewis Hamilton, 22 anos, precisava apenas da tranqüilidade que alardeou ter durante toda a semana para guiar seu McLaren até o fim da corrida e colocar as mãos no título mundial de F-1. No momento decisivo, porém, o jovem inglês deu sinais de que, sob a pressão do favoritismo, ainda lhe falta experiência para se sentir confortável.
O piloto, estreante nesta temporada, largou mal, cometeu erros cruciais, teve de fazer uma corrida de recuperação e deixou a pista frustrado. Logo nas primeiras curvas, foi superado por Kimi Raikkonen e, depois, por Fernando Alonso. Na tentativa de evitar toque com o espanhol, saiu da pista e caiu para a oitavo.
Mesmo assim, ainda se tornaria o primeiro negro campeão da F-1 se mantivesse seu carro na sétima colocação, que ganhou em seguida. Na oitava volta, no entanto, o inglês teve problemas para trocar a marcha e caiu para a 18ª posição. Deu, então, adeus às chances de se tornar campeão. Mesmo com a bela recuperação - terminou em sétimo -, sua prova teve fim melancólico.
Nos dias que antecederam o GP Brasil, o piloto inglês repetiu várias vezes a emoção de correr na terra do ídolo Ayrton Senna, cenário ideal para o título. “Fico desapontado. Eu fiquei atrás do Alonso, mas ainda tinha possibilidade de voltar à corrida. Sinto que alguém em algum lugar não queria que eu ganhasse. Tive problemas com pneus, errei na última corrida, algo aconteceu aqui... Mas tudo isso faz parte”, afirmou.
Hamilton pediu desculpas à sua torcida, mas afirmou ter ficado satisfeito em terminar o campeonato como o número dois do mundo em sua temporada de estréia na principal categoria do automobilismo. “No ano que vem terei a chance novamente. Voltarei mais relaxado e mais experiente. Foi ótimo chegar à última corrida brigando pelo título e chegar à frente de meu companheiro de equipe”, afirmou o estreante.
Nesta temporada, Alonso e Hamilton travaram um duelo particular na escuderia, que claramente torcia pelo inglês. “Tenho de agradecer a todo mundo na equipe. Sem eles e todo seu trabalho duro eu não estaria nessa posição hoje”, disse ele, que parabenizou Kimi Raikkonen pelo título.
Nos bastidores, Hamilton também enfrentou neste ano o escândalo de espionagem que envolveu a McLaren, acusações de não jogar limpo com os adversários e de ser protegido. Dois exemplos disso ocorreram em Interlagos. Nos treinos de sexta-feira sua equipe usou um jogo a mais de pneus, o que é proibido. Hamilton e mais dois pilotos, que cometeram o mesmo erro, só levaram multa. Ontem, na sessão classificatória, o inglês se envolveu em episódio controverso com Raikkonen e bateu boca com jornalistas que o acusaram de atrapalhar o finlandês.
No ano que vem, Hamilton será novamente um dos favoritos ao título. Calejado por sua brilhante e controversa temporada de estréia.