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Bauru pode ter mais secas e geadas

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru pode ficar sujeita a secas prolongadas e a fortes geadas nas três próximas décadas. As previsões, nada animadoras, são do diretor do Instituto de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Luiz Carlos Baldicero Molion. “Efeitos do aquecimento global?”, perguntaria um cidadão desavisado. Que nada...

Para o estudioso, a tese de que a temperatura média do planeta estaria se elevando em decorrência do aumento das emissões de carbono pelo homem (sobretudo pela queima de combustíveis fósseis) não tem fundamento científico.

Molion defende que o aquecimento registrado na Terra nas últimas três décadas foi motivado por fatores naturais (aumento da atividade solar) e que, nos próximos anos (até por volta de 2030), haverá uma diminuição na temperatura média do globo da ordem de 0,2 graus Celsius (veja o quadro ao lado).

Embora pareça insignificante, essa variação de temperatura trará mudanças profundas ao clima mundial. O resfriamento global previsto por Molion traria impactos negativos para o Brasil, por exemplo - em especial para o Sul e o Sudeste, que passariam a ficar mais sujeitos a fortes geadas.

Áreas responsáveis pela expansão das fronteiras agrícolas brasileiras, como a Amazônia e o Centro-Oeste também sofreriam com o resfriamento da temperatura global. O pesquisador prevê que as duas regiões enfrentarão uma redução de até 35% na quantidade média de chuvas. “Em alguns locais a queda poderá atingir 500 milímetros. Isso será péssimo para a economia brasileira como um todo”, calcula Molion.

De acordo com o especialista, Bauru também apresentará uma queda acentuada em seus índices de pluviosidade. “Sul e Sudeste do País apresentarão uma redução de até 20% na quantidade de chuvas”, afirma ele.

Fenômenos como a diminuição do volume das Cataratas do Iguaçu (na fronteira de Brasil, Paraguai e Argentina) e a redução do nível da represa Billings, em São Paulo, - ou mesmo do rio Batalha, responsável pelo abastecimento de água de Bauru - seriam indícios que serviriam para comprovar a tese do “resfriamento global”

Graduado em física pela Universidade de São Paulo (USP), PHD em meteorologia pela Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, pós-doutor em hidrologia pela Universidade da Inglaterra e membro do Instituto de Estudos Avançados de Berlim, na Alemanha, Molion defende que as mudanças climáticas em curso no planeta não têm nada a ver com o aumento das emissões de carbono pelo homem.

“A Terra, em seus ciclos naturais (solo, vulcões, oceanos, florestas), libera cerca de 200 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera ao ano. O ser humano, por meio das indústrias, dos escapamentos de automóveis e das atividades agropecuárias, emite apenas 6 bilhões de toneladas. Francamente, essa é uma quantia irrisória”, diz Molion, que considera pretensão “acreditar que a humanidade seria capaz de, sozinha, provocar alterações tão profundas no clima do globo”.

Sol forte

Se o homem não tem nada a ver com a mudanças ocorridas nas temperaturas médias do planeta, por que, então, o mundo tem andado tão quente nas últimas décadas? Segundo Molion, a Terra esteve sob efeito, nos últimos 100 anos, de um fenômeno denominado “Ciclo de Gleissberg”, em que o Sol produziu maior quantidade de energia.

Isso acabou provocando uma elevação na temperatura da superfície do Oceano Pacífico de cerca de 1 grau Celsius. De acordo com Molion, para que esse aquecimento aparentemente irrisório pudesse ocorrer teriam sido necessários 1027 joules. “Uma usina do porte de Itaipu (maior do mundo, com potência de 12 gigawatts) teria trabalhar na capacidade máxima durante 30 bilhões de anos para produzir essa quantidade de energia”, calcula.

Toda essa energia acumulada no Oceano passou a se dispersar pela atmosfera ao longo dos anos, fazendo com que o planeta registrasse, entre 1977 e 1998, um aumento de cerca de 0,4 graus Celsius em suas temperaturas médias.

De 1999 em diante, porém, o Pacífico teria entrado em uma nova fase fria. “Em algumas regiões - próximo à Argentina, por exemplo - já estão sendo constatadas reduções de até 7 graus Celsius nas temperaturas médias da superfície do Oceano. Como os defensores do chamado aquecimento global explicam esse resfriamento?”, coloca Molion.

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