Polícia

A cada 2 horas, um furto é registrado

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Em fevereiro do ano passado, a professora Alvenir Alencar Mota, 49 anos, aproveitou o feriado de Carnaval para fazer uma viagem e descansar. No entanto, quando voltou para casa, teve uma desagradável surpresa. A porta de seu apartamento, na Vila Falcão, havia sido arrombada e todos os pertences, levados por ladrões. “Estava me mudando e só tinha roupas, calçados e eletrodomésticos. Mas eles levaram tudo”, conta. Em média, a experiência de ter um bem furtado é vivida a cada duas horas por um bauruense, em algum local da cidade.

Dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) revelam que, de janeiro a junho de 2007, houve 2.687 furtos na cidade. Só no mês de junho foram 421 ocorrências. Com isso, Bauru chega à média de 14 furtos ao dia, ou um registro a cada duas horas. Os dados não incluem furtos de veículos.

Vale ressaltar que os números não contabilizam os furtos de veículos, que aumentaram no último trimestre. A maioria das ocorrências é de furtos simples como, por exemplo, de carteiras e toca-fitas.

Além da infelicidade de ter seu apartamento invadido, Alvenir revela que ficou decepcionada com a inexistência de investigações que pudessem localizar os criminosos. “Assim que cheguei a Bauru, fiz um boletim de ocorrência, mas a polícia disse que não havia o que fazer e ficou por isso mesmo”, conta.

Por não acreditar que pudesse recuperar seu bem perdido, a empregada doméstica Maria Tereza Zangrande, 50 anos, preferiu nem registrar boletim de ocorrência. Há cerca de seis anos, a residência onde mora com o filho e o marido, no Jardim Prudência, foi invadida enquanto todos estavam em horário de trabalho.

Na ocasião, ela perdeu uma bicicleta e peças de roupa. “Não tinha nem acabado de pagar a bicicleta, mas preferi deixar quieto, também por medo de represália”, diz.

Vício

Dentre os diferentes tipos dessa natureza de crime, o furto a residências tem atingido muitos bauruenses e o delegado seccional de Bauru, Doniseti José Pinezi, alerta para as medidas que devem ser tomadas para evitar uma ‘visita’ indesejada enquanto não há ninguém em casa.

“O furto de residência afeta todos os bairros, do Centro à periferia. É só a pessoa viajar e largar a casa vazia, que os ladrões estão à espreita. As pessoas que puderem, devem colocar grades, cerca elétrica e alarme, que ajudam a evitar o crime”, orienta.

Ele acredita que os objetos ou eletrodomésticos subtraídos de residências durante a ausência dos moradores sirvam como moeda de troca para o pagamento de porções de crack, cocaína e maconha. “Eles furtam para sustentar o vício e pagar dívidas com traficantes”, destaca.

Apesar de o número de furtos em Bauru ter diminuído em relação ao ano passado - de janeiro a junho de 2006 foram 2.886 registros -, Pinezi afirma que a recuperação dos objetos e sua devolução à vítima muitas vezes é difícil de ser realizada. “A solução dos casos de flagrante é bem mais rápida, mas desde que passamos a distribuir a investigação de furtos também para os distritos policiais, em janeiro de 2006, obtivemos uma queda geral nos índices de criminalidade em Bauru”, frisa.

Para Pinezi, além do trabalho preventivo realizado pela PM, o meio mais eficaz para diminuir os índices de furto é retirar o criminoso de circulação. “É preciso colocar o autor na cadeia. Se ficar solto enquanto as investigações são feitas, ele vai continuar roubando”, afirma. Além da PM, segundo Pinezi, viaturas do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) continuam a realizar operações pelas ruas da cidade para inibir os ladrões.

Os registros de furto não esclarecidos são encaminhados para a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), que tem a competência de investigar os casos em que o crime é de autoria desconhecida. “Além disso, a delegacia possui duas equipes especializadas na investigação de roubos, que incluem os casos de invasão a residências”, explica o delegado titular da DIG, Abel Cortez.

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Algumas dicas

• Dificulte o acesso do ladrão ao imóvel através de grades nas janelas, trincos nas portas, cercas elétricas, cadeados, cães de guarda e muros altos

• Mantenha um bom relacionamento com os vizinhos, procurando formar um esquema de vigilância comunitária, para que haja observações recíprocas das residências

• Suspenda a entrega de jornais e revistas em caso de viagens longas

• Não deixe luzes acesas durante o dia

• Mantenha luzes acesas quando precisar sair à noite

• Se alguma chave for perdida, troque o segredo da fechadura correspondente

• Utilize, à noite, iluminação externa que permita ampla visão de jardins e quintais do imóvel

• Em caso de suspeita, avise a polícia

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