Rio - A estudante Joceline Neildes Gomes Paranhos, 8 anos, foi baleada nas costas na manhã de ontem no pátio do Ciep Vinícius de Moraes, na favela do Jacarezinho, zona norte da cidade. A polícia ainda não sabe de onde partiu o tiro. A estudante, que mora com a família na favela, estava ensaiando uma apresentação para festa de comemoração do aniversário do patrono do Centro Integrado de Educação Pública (Ciep).
Segundo a PM, a localização da escola, a 500 metros de uma das entradas do Jacarezinho, é considerada área de risco. Joceline foi levada por bombeiros para o Hospital Salgado Filho, no Méier(zona norte), onde a bala foi retirada e depois enviada para o Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE).
Os policiais que estavam de plantão no hospital e os médicos que socorreram a estudante acreditam que o projétil retirado seja de pistola, mas não souberam dizer o calibre. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o quadro de Joceline é estável, mas não há previsão de alta.
De acordo com uma funcionária da escola, os professores só perceberam que a menina, que cursa a segunda série do ensino fundamental, foi atingida quando ela começou a chorar e viram o uniforme manchado de sangue. Como ninguém ouviu o tiro, funcionários e professores acreditam que o disparo foi feito de longe. Ainda de acordo com a funcionária, foi o primeiro caso de bala perdida no Ciep Vinícius de Moraes.
Segundo ela, quando há operação na favela, os alunos ficam agitados e amedrontados com os tiros, o barulho de explosões de granadas, a entrada dos blindados e os e sobrevôos de helicópteros das polícias Civil e Militar.
A Secretaria Municipal de Educação e o 3.ºBPM (Méier), responsável pelo patrulhamento na região, afirmam que não havia operação policial no Jacarezinho no momento em que a estudante foi atingida. Na semana passada, o Instituto de Segurança Pública (ISP) divulgou que 170 pessoas foram vítimas de bala perdida no primeiro semestre de 2007. Segundo o ISP, as áreas com maior número de ocorrências de bala perdida foram as do 3.º BPM, onde está o Ciep, que registrou 30 vítimas, sendo que uma delas morreu; do 1.º BPM (Estácio), com 19 vítimas e nenhuma morte; e do 9.º BPM (Rocha Miranda), com 18 vítimas e nenhuma morte.