Um evento realizado ontem à noite na Casa do Médico, sede da regional Bauru da Associação Paulista de Medicina (APM), reuniu 27 médicos com mais de 50 anos de atuação na profissão em uma homenagem promovida pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).
Os homenageados receberam diplomas pelas cinco décadas de serviços prestados à população em um evento que também serviu como oportunidade para que antigos companheiros se encontrassem e colocassem as notícias em dia. Entre tantos profissionais experientes, surpreendente foi o fato de alguns veteranos nem cogitarem a idéia de parar de trabalhar, como o radiologista Abraham Rothberg, 83 anos, formado pela Faculdade Fluminense de Medicina, em 1951.
Nascido nos Estados Unidos e naturalizado brasileiro, ele não parou de trabalhar na área desde a formatura. “Continuo na ativa, não pretendo parar de trabalhar tão cedo não”, diz o médico, que trabalha na Transmed. De acordo com Rothberg, não há razão para parar já que o tempo não atrapalhou sua carreira. “Vou a congressos e jornadas duas vezes por ano. Sempre tem muita novidade em aparelhos e equipamentos, a gente vai aprendendo aos poucos”, conta. Segundo Rothberg, o profissional da área médica deve estar sempre se renovando. Quando perguntado sobre a concorrência dos mais novos, ele não se abala. “Não incomoda nem um pouco, tem muita gente boa entrando na profissão”, diz.
O clínico-geral Francisco Giraldes Arieta, 87 anos, é outro que não conhece a palavra aposentadoria. Formado pela Escola Paulista de Medicina, em 1945, ele está há alguns meses parado por ter fraturado as pernas mas, já recuperado, garante que volta a trabalhar em breve. “Meu pai era farmacêutico e minha mãe, também. Os dois morreram trabalhando e isso ficou marcado para mim. Eu não sei quando vou parar. Sinto falta de trabalhar”, revela.
Arieta, que é natural de Ourinhos e mora em Bauru desde 1958, conta que quando chegou na cidade, onde tinha um irmão que era cardiologista, não havia um clínico por isso trabalho nunca lhe faltou. “Meus filhos nem me viam direito de tanta gente que eu atendia”, lembra. O médico afirma que seu desejo de exercer a profissão sempre foi maior do que o de ter ganhos financeiros. “Sempre fiz o possível para atender as pessoas da melhor maneira possível. Muitos nunca ligaram para isso, mas são seres humanos. Hoje para mim se paga ou não paga eu não me importo, atendo do mesmo jeito”, afirma.
Decano
O decano do grupo homenageado ontem, Pedro Bittencourt Porto, 91 anos, engrossa a lista dos veteranos “workaholics”. Formado na primeira turma da Escola Paulista de Medicina, em 1938, ele lembra com orgulho que atua na profissão há nada menos que 69 anos. “Continuo clinicando, já estou aposentado há mais de 30 anos, mas não paro de trabalhar. Eu gosto da profissão, me sinto bem com ela”, comenta o clínico-geral e cardiologista que mora há seis anos em Bauru.
Natural de Jacareí, Porto trabalhou com o doutor Lauro de Souza Lima em São Paulo, onde atuou por mais de seis décadas no Hospital Oswaldo Cruz. Ele lembra que quando começou na profissão não haviam nem antibióticos. “O tratamento de tuberculose, por exemplo, era climático, o que curava era o clima. Hoje se fala de células-tronco, a medicina evoluiu muito”, comenta. Por nunca ter parado, o médico diz que sempre se manteve atualizado e dá um conselho aos mais novos na profissão: “Tratem bem os pacientes, com bastante atenção, e façam os diagnósticos com agilidade para começar o tratamento o quanto antes”.
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Os homenageados
Nome/Ano de formatura
Waldemar Abdo/1956
Pedro Bittencourt Porto/1938
Hayden Simionato/1954
Farid Naufel/1947
Youko Kawahara/1955
Francisco Mathias Zorman/1953
Abraham Rothberg/1952
Orlando Sabage/1952
Semi Sabbag/1948
Francisco Giraldes Arieta/1945
Abrahim Dabus/1949
Henrique Marques De Carvalho/1952
Almir Pinto Do Amaral/1953
Edmundo Oberg/1953
Jorge Ayub/1953
Francisco De Assis De Miranda/1954
Renato Celso Barban/1953
Roberto Loureiro Maringoni/1957
Victor Manoel Coelho Barbosa/1956
Oswaldo Garcia Maldonado/1957
Ivan De Oliveira/1947
Orivaldo De Oliveira Delgado/1957
Dino Miguel Nanni Rinaldi/1957
Assaf Hadba/1957
Wladimir Alfer/1950
Antonio Rodrigues De Freitas/1948
Bernardino Pereira Cardozo/1955