Geral

Médicos veteranos não pensam em parar

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

Um evento realizado ontem à noite na Casa do Médico, sede da regional Bauru da Associação Paulista de Medicina (APM), reuniu 27 médicos com mais de 50 anos de atuação na profissão em uma homenagem promovida pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).

Os homenageados receberam diplomas pelas cinco décadas de serviços prestados à população em um evento que também serviu como oportunidade para que antigos companheiros se encontrassem e colocassem as notícias em dia. Entre tantos profissionais experientes, surpreendente foi o fato de alguns veteranos nem cogitarem a idéia de parar de trabalhar, como o radiologista Abraham Rothberg, 83 anos, formado pela Faculdade Fluminense de Medicina, em 1951.

Nascido nos Estados Unidos e naturalizado brasileiro, ele não parou de trabalhar na área desde a formatura. “Continuo na ativa, não pretendo parar de trabalhar tão cedo não”, diz o médico, que trabalha na Transmed. De acordo com Rothberg, não há razão para parar já que o tempo não atrapalhou sua carreira. “Vou a congressos e jornadas duas vezes por ano. Sempre tem muita novidade em aparelhos e equipamentos, a gente vai aprendendo aos poucos”, conta. Segundo Rothberg, o profissional da área médica deve estar sempre se renovando. Quando perguntado sobre a concorrência dos mais novos, ele não se abala. “Não incomoda nem um pouco, tem muita gente boa entrando na profissão”, diz.

O clínico-geral Francisco Giraldes Arieta, 87 anos, é outro que não conhece a palavra aposentadoria. Formado pela Escola Paulista de Medicina, em 1945, ele está há alguns meses parado por ter fraturado as pernas mas, já recuperado, garante que volta a trabalhar em breve. “Meu pai era farmacêutico e minha mãe, também. Os dois morreram trabalhando e isso ficou marcado para mim. Eu não sei quando vou parar. Sinto falta de trabalhar”, revela.

Arieta, que é natural de Ourinhos e mora em Bauru desde 1958, conta que quando chegou na cidade, onde tinha um irmão que era cardiologista, não havia um clínico por isso trabalho nunca lhe faltou. “Meus filhos nem me viam direito de tanta gente que eu atendia”, lembra. O médico afirma que seu desejo de exercer a profissão sempre foi maior do que o de ter ganhos financeiros. “Sempre fiz o possível para atender as pessoas da melhor maneira possível. Muitos nunca ligaram para isso, mas são seres humanos. Hoje para mim se paga ou não paga eu não me importo, atendo do mesmo jeito”, afirma.

Decano

O decano do grupo homenageado ontem, Pedro Bittencourt Porto, 91 anos, engrossa a lista dos veteranos “workaholics”. Formado na primeira turma da Escola Paulista de Medicina, em 1938, ele lembra com orgulho que atua na profissão há nada menos que 69 anos. “Continuo clinicando, já estou aposentado há mais de 30 anos, mas não paro de trabalhar. Eu gosto da profissão, me sinto bem com ela”, comenta o clínico-geral e cardiologista que mora há seis anos em Bauru.

Natural de Jacareí, Porto trabalhou com o doutor Lauro de Souza Lima em São Paulo, onde atuou por mais de seis décadas no Hospital Oswaldo Cruz. Ele lembra que quando começou na profissão não haviam nem antibióticos. “O tratamento de tuberculose, por exemplo, era climático, o que curava era o clima. Hoje se fala de células-tronco, a medicina evoluiu muito”, comenta. Por nunca ter parado, o médico diz que sempre se manteve atualizado e dá um conselho aos mais novos na profissão: “Tratem bem os pacientes, com bastante atenção, e façam os diagnósticos com agilidade para começar o tratamento o quanto antes”.

____________________

Os homenageados

Nome/Ano de formatura

Waldemar Abdo/1956

Pedro Bittencourt Porto/1938

Hayden Simionato/1954

Farid Naufel/1947

Youko Kawahara/1955

Francisco Mathias Zorman/1953

Abraham Rothberg/1952

Orlando Sabage/1952

Semi Sabbag/1948

Francisco Giraldes Arieta/1945

Abrahim Dabus/1949

Henrique Marques De Carvalho/1952

Almir Pinto Do Amaral/1953

Edmundo Oberg/1953

Jorge Ayub/1953

Francisco De Assis De Miranda/1954

Renato Celso Barban/1953

Roberto Loureiro Maringoni/1957

Victor Manoel Coelho Barbosa/1956

Oswaldo Garcia Maldonado/1957

Ivan De Oliveira/1947

Orivaldo De Oliveira Delgado/1957

Dino Miguel Nanni Rinaldi/1957

Assaf Hadba/1957

Wladimir Alfer/1950

Antonio Rodrigues De Freitas/1948

Bernardino Pereira Cardozo/1955

Comentários

Comentários