Depois de três meses de estiagem, ontem choveu durante grande parte do dia. A quantidade de água não foi tão grande - 23,1 milímetros até as 21h30 - mas demonstrou o que poderá ocorrer na cidade durante o verão. Motoristas e pedestres, principalmente no Centro, encontraram pontos nos quais a enxurrada não tinha por onde escoar. Na confluência da avenida Rodrigues Alves com a rua Antônio Alves, por exemplo, a poça formada em frente à boca-de-lobo tomava quase toda a pista. Uma demonstração de que provavelmente diversos outros bueiros da cidade se encontram na mesma condição: entupidos.
O prognóstico para o futuro próximo não é bom. Grande parte da população brasileira, incluindo a de Bauru, tem o hábito de jogar lixo indiscriminadamente nas ruas e nas bocas-de-lobo. Andando algumas quadras é possível verificar motoristas atirando bitucas de cigarros ou latinhas, pedestres jogando panfletos e papéis de bala, moradores varrendo folhas para a sarjeta, entre outras coisas. O fato é que, quando chove, tudo isso é levado para os bueiros. E o resultado são enchentes e enxurrada forte correndo pelas vias e danificando o asfalto.
5 mil dias de limpeza
Já na divisão de drenagem da Secretaria de Obras, existem cinco funcionários que realizam diariamente limpeza e manutenção em estimados 15 mil bueiros da cidade. Segundo Valdeci Luiz de Carvalho e Antônio Pires, respectivamente diretor e mestre obras do setor, as bocas-de-lobo têm em média dois metros de profundidade e, quando estão lotadas de lixo, é necessário que um funcionário trabalhe o dia todo para desobstruir o duto por onde escoa a água da chuva. Portanto, se todos os bueiros da cidade estivessem abarrotados de sujeira, seriam necessários 5 mil dias de trabalho ininterrupto para que todos fossem limpos.
Os funcionários revelam também que a equipe conta com apenas um veículo para fazer o trabalho de apoio na limpeza das bocas-de-lobo da cidade. O mais alarmante é que ela ficou quebrada durante quatro meses. “A viatura voltou às ruas há cerca de três semanas”, conta Pires.
Como a situação da frota é precária e o número de funcionários insuficiente, a divisão adotou um sistema de trabalho que prioriza solicitações de moradores e de vereadores. Somente na manhã de ontem, cinco munícipes haviam entrado em contato para solicitar o serviço. “Recebemos uma média de 10 a 12 telefonemas por dia”, revela Carvalho. “Na medida do possível, vamos atendendo as localidades onde a situação é mais crítica”, completa.
• Serviço
Para solicitar limpeza em bocas-de-lobo a pessoa deve se dirigir ao Poupatempo, que fica na avenida Nações Unidas, 4-44; ou à Secretaria de Obras, na avenida Nuno de Assis, 14-60.