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Relatório da CPI do Apagão acusa ex-presidente da Infraero

Folhapress
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Brasília - O relatório final da CPI do Apagão Aéreo do Senado afirma que duas organizações criminosas estavam instaladas na Infraero para desviar recursos e que o deputado Carlos Wilson (PT-PE), ex-presidente da empresa, era o “chefe da quadrilha” de Pernambuco, responsável por irregularidades nas áreas comercial e de engenharia.

A estimativa do rombo na empresa, responsável pela administração dos aeroportos, é de R$ 500 milhões. O texto final foi lido ontem, mas a votação ficou para terça-feira, pois o senador João Pedro (PT-AM) pediu vista. O PT articula modificações no relatório e a oposição avalia que seis nomes devem ser retirados - a base aliada tem a maioria dos votos na comissão. Apesar disso, o relator Demóstenes Torres (DEM-GO) enviará seu texto original ao Ministério Público. “Se fosse por mim já estava pedindo a prisão”, disse. “Fiz um trabalho técnico e não quero entrar no jogo político. Tenho a consciência limpa.”

O relator também acusou o ex-assessor da Infraero Eurico Loyo de ser o “carregador de mala” de Carlos Wilson no esquema de desvios. Na quebra de seus sigilos, segundo ele, foram encontradas ligações financeiras com as empresas FM Engenharia Ltda e Empreendimentos Queiroz de Oliveira. Além disso, há ligações telefônicas para 14 empreiteiras.

O relator também afirmou na reunião que há ligação entre Loyo e o Banco Rural, envolvido no escândalo do mensalão. No total, segundo a CPI, a suposta quadrilha pernambucana teria 11 integrantes, a maioria servidores da empresa. A segunda quadrilha identificada pela CPI era baseada em Curitiba e atuava nos setores de publicidade e obras da Infraero. Quatro integrantes foram identificados.

No total, o relatório pede o indiciamento de 21 pessoas por crimes de improbidade, contra o processo de licitação e de corrupção na Infraero. Também pede investigação e rastreamento de recursos repassados a várias grandes empreiteiras. Outros dois indiciamentos, por improbidade e fraude processual, são pedidos com, relação à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac): Denise Abreu (ex-diretora) e Roberto Araújo (procurador).

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