Turismo

Paris é uma festa

Zarcillo Barbosa e Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 2 min

Na sua obra póstuma “Paris é uma festa”, o prêmio Nobel de Literatura Ernest Hemingway deixou gravada todas as suas lembranças da cidade onde viveu, amou e trabalhou. O título correto da obra seria “Paris é uma festa móvel”. Quem vê a Cidade Luz uma vez, dela jamais se esquece. Para o resto da vida as experiências passadas nos seus museus, bulevares e bistrôs sempre estimularão os sentidos. As paisagens das ruas, os instantes vividos nos cafés, as flores dos seus jardins retornarão à mente para reavivar, a cada oportunidade, aquele gostinho de festa.

“Se você teve a sorte de viver em Paris, quando jovem, sua presença continuará acompanhá-lo pelo resto da vida, onde quer que você esteja, porque Paris é uma festa móvel, que se carrega no coração”, assim escreveu Hemingway a um amigo, há mais de meio século atrás. Suas impressões continuam atuais.

Que nos perdoem Londres e Nova York, mas Paris é fundamental. A cidade transpira charme e história. Cenário e luz ideais para o amor assumido e as intimidades roubadas. As pontes do Sena, gente de todos os quadrantes do planeta que desfilam na Champs-Elysées, a Rive Gauche, a pirâmide de vidro do Louvre, suas estátuas-guardiãs douradas. Tudo tão bonito que é difícil não abusar dos adjetivos.

Fácil perceber depois da primeira visita porque nela viveram gênios da estirpe de Pablo Picasso, Henry Miller, Dali, Gertrude Stein, Isadora Duncan, Oscar Wilde. Sem esquecer os nativos, como Sartre e Simone de Beauvoir, Matisse, Jean Cocteau, Coco Chanel, Balzac e tantos outros. Em cada rua existe pelo menos uma placa na fachada de um prédio para assinalar que “aqui morou fulano de tal”.

O gênio cubista espanhol Pablo Picasso passava os seus dias flanando em Montmatre. Seu rastro pode ser sentido no Lapin Agile ou no Moulin Rouge, cabarés também freqüentados por Manet, Degas, Utrillo e Tolouse-Lautrec. Naquele tempo Paris já era velha, e continua sendo.

Hoje, Paris não é mais “o lugar que é a cara do século”, como dizia Gerturde Stein nos anos 20. O século já é outro. Nova York, Londres e Los Angeles são cidades muito mais importantes como centros financeiros e exportadoras de arte, literatura e celebridades. Hong Kong e Tóquio emergem como pólos de modernidade, tecnologia e ousadia arquitetônica. Talvez, por isso mesmo, Paris seja tão fascinante.

Na cidade, a gente não vê muito cybercafé, mas o forte apego às tradições, a restauração constante dos prédios, a baguette e o vinho, o cheiro do queijo e do perfume, as feiras ao ar livre com suas delícias artesanais, as bancas de flores, os jovens reunidos para comemorar Che Guevara na Praça da Sorbonne, um centro de pensamento desde o século 13. Aonde existe tanta coisa reunida? Tudo faz de Paris única. São muitas as razões para se apaixonar.

Comentários

Comentários