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Hepatite C é epidemia, segundo ONG

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

São Manuel - A Organização Não Governamental (ONG) “C tem que Saber C tem que Curar”, de São Manuel (69 quilômetros de Bauru), inicia hoje uma mobilização de alcance nacional para alertar que dos 4 milhões de portadores de hepatite C no Brasil apenas 7.380 estão em tratamento atualmente. Os dados, colhidos no Sistema de Informações Ambulatoriais do Sistema Único de Saúde (SUS), indicam que apenas um, em cada 542 portadores da doença, é tratado.

A ONG considera esse número ínfimo, pois acredita que o País vive uma epidemia da doença. “Na verdade, nós que somos da associação de portadores e ex-portadores da doença, a gente não admite esta relação de um tratamento para cada 542 portadores. É muito pouco, porque o tratamento para o HIV é de um em cada 30 que consegue”, compara Francisco Gonzalez Martucci, diretor-presidente da ONG.

De acordo com a ONG, apesar da existência de portarias ministeriais que contemplam todo portador da doença ao tratamento pelo SUS, na prática, a maioria fica excluída do atendimento. Martucci atribui este fato à falta de campanhas oficiais sobre o problema. “Se deve aos gargalos que o SUS proporciona, à falta de informação, à falta de campanhas oficiais, porque a hepatite C não tem sintomas. Estes fatores contribuem para este quadro”, comenta.

Preocupados com a situação, a ONG “C tem que Saber C tem que Curar” inicia a partir de hoje uma campanha de alcance nacional com distribuição de 200 mil cartilhas a hospitais da rede pública. “O que nós estamos fazendo é encabeçando uma campanha para a população ter mais acesso à informação. A campanha é necessária pela ausência de informações oficiais, governamentais e porque o governo não priorizou esta doença pelo seu alto custo”, justifica. Segundo Martucci, hoje, um tratamento de hepatite C está custa em torno de R$ 24 mil por pessoa.

“Neste primeiro passo, nós vamos remeter as cartilhas aos hospitais públicos para multiplicá-los nos bancos de sangue. O segundo passo é uma denúncia ao Programa Nacional de hepatite Virais (PNHV) mostrando que esses números (de pessoas tratadas) são irrisórios perante a prevalência da doença”, diz.

Para tentar incluir mais portadores no tratamento, a ONG, com sede em São Manuel, lança hoje a campanha intitulada “Cuide C”. “O foco é tentar minimizar esta situação levando informação direcionada a quem é grupo de risco da hepatite C”, conclui Martucci.

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Morte anunciada

De acordo com o diretor-presidente da ONG “C tem que Saber C tem que Curar”, Francisco Gonzalez Martucci, projeções matemáticas feitas por especialistas e publicações científicas revelam que, daqui a 10 anos, cerca de 600 mil pessoas com a doença vão morrer em todo o Brasil se não houver tratamento.

“Vamos mostrar à sociedade civil que são 12 óbitos por dia no Brasil, segundo a literatura científica. É a evolução natural desta doença”, argumenta. “Se o governo não adotar uma ação estratégica sobre isso hoje, estas pessoas estão em uma fila da morte anunciada”, completa Martucci.

Transplante

O problema se agrava ainda mais porque, pelo curso natural da patologia, o paciente pode ter a necessidade do transplante hepático. Como no Brasil existem apenas quatro fígados por milhão de habitantes, a fila pela espera por um órgão dura, em média, 5 anos - 95% das pessoas nessa situação acabam morrendo.

A hepatite C cirrotiza o fígado do infectado sem apresentar nenhum sintoma. A grande parte nem sabe que tem a doença. De acordo com a ONG, dados recentes mostram que essa enfermidade já é a segunda causa de morte no Estado de São Paulo.

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