Manaus - Trinta e duas pessoas foram presas ontem nos Estados de Roraima, Amazonas e Paraná sob suspeita de integrar uma organização criminosa que fraudava processos licitatórios da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Investigações da Polícia Federal indicam que o grupo causou um prejuízo de R$ 34 milhões aos cofres públicos.
Entre os presos estão servidores da fundação e sócios e administradores de empresas licitantes. A maior parte das prisões ocorreu em Boa Vista (RR): 25. Foi preso o coordenador regional da Funasa em Roraima, Ramiro Teixeira, apontado pela PF como o chefe do grupo. A reportagem não conseguiu localizar um advogado dele até a noite de ontem.
Segundo a PF, dos 25 presos em Boa Vista, ao menos 16 são servidores. Na sede da Funasa na capital de Roraima a polícia apreendeu documentos, computadores e notas fiscais. Segundo as investigações, iniciadas em 2006, as fraudes ocorriam há cerca de três anos em licitações de serviços de transporte em táxi aéreo, contratação de obras de engenharia e aquisição de medicamentos. “Fraudavam as licitações de diversas maneiras. Desde a publicação do edital, ao qual não era dada a publicidade devida. Os preços eram acima do mercado. Havia um acordo de quem seria o vencedor. Depois o vencedor, com os lucros da assinatura do contrato, dividia com os outros licitantes e servidores”, disse o delegado Alexandre Ramagem, que comandou a Operação Metástase. Ramagem declarou que houve pagamento de serviços não realizados e superfaturados.
Além das prisões, a PF apreendeu R$ 1,3 milhão em Boa Vista na casa dos suspeitos. O secretário da Saúde de Boa Vista, Namis Levino Filho, teve mandado de prisão determinado pela Justiça Federal. Ele não foi preso por estar em viagem a Brasília. Por telefone, o secretário se disse “surpreso” com a acusação e afirmou que voltaria ontem a Boa Vista para prestar esclarecimentos: “Acredito que meu nome apareceu porque todos do órgão foram alvo de uma ampla investigação”.
Cinco pessoas foram presas em Curitiba (PR). Em Manaus (AM) foram presos dois empresários, Antônio Picão Neto e Geraldo Luiz Picão, sócios da empresa de táxi aéreo Amazonave. Segundo o delegado Umberto Ramos, o esquema com a Amazonave funcionava desde 2005. Segundo ele, os sócios da Amazonave participavam de licitações da Funasa, em Roraima, em conluio com outras empresas de táxi aéreo.
O advogado dos empresários, José Alberto Simonetti, disse que só comentaria as prisões após ter acesso às acusações. Ontem, após sair da sala de depoimento da PF, em Manaus, Antônio Picão Neto agrediu uma repórter-fotográfica, que sofreu um hematoma na cabeça e arranhões no rosto.