Certo dia, Maria Tereza Oliveira Guimarães, 73 anos, decidiu fazer uma polenta com frango para atender aos desejos de filhos e netos que estavam na casa. Como eles estavam com um pouco de pressa, ela colocou a polenta em duas travessas para esfriar mais rápido e deixou-as em cima da mesa, próximo à janela da cozinha. Enquanto isso, Maria Tereza foi cuidar do molho de frango.
Quando voltou para buscar a polenta viu dois sacis carregando as travessas. Ela tentou recuperar os pratos, mas os dois pernetas foram mais rápidos e conseguiram escapar. Ela conta que do outro lado do muro haviam outros sacis dando cobertura para os dois que entraram na cozinha.
Enquanto ela tentava recuperar a polenta, outros sacis entraram na cozinha e pegaram a panela com o frango. Maria Tereza tentou, então, salvar pelo menos o molho, mas não teve sucesso. Enquanto se preocupava em recuperar o frango, um grupo de sacis aproveitou para mexer no varal, deram nó nas roupas, amarraram os cadarços dos tênis e aprontaram uma série de outras malvadezas. “Foi uma loucura”, recorda ela.
A polenta, o frango e algumas peças de roupas foram encontradas na casa dos vizinhos. Segundo Maria Tereza, os sacis fazem isso para forçar o relacionamento entre pessoas próximas.
Quando foi convidada para comparecer ao programa de Ana Maria Braga, Maria Tereza se comprometeu em levar dois sacis de presente para a apresentadora. Mas quando parou em um restaurante para almoçar, próximo a Bofete, o casal aproveitou o descuido conseguiu fugir para o mato que havia ao lado da rodovia.
Segundo ela, os sacis adoram a mata. Ela conta que por várias vezes um de seus filhos tentou levar um casal para o sítio dele em Porangaba, mas quando chega na serra de Botucatu, eles escapam e partem direto para o meio da mata. Já aconteceu de alguns saltarem sobe a caminhonete para pegar uma carona até perto de Botucatu.
De acordo com Maria Tereza, os sacis não gostam da cidade por causa do barulho. Eles preferem ficar na mata, que é mais silenciosa e tem um clima mais ameno. Além disso, é lá que está seu alimento. Saci não come polenta nem frango. Eles preferem frutas, brotos de bambu e peixes. Segundo ela, é possível atrair um saci para dentro de uma garrafa usando como isca goiabas e bananas.
Um saci não mede mais do que 1,20 metro de altura. Na média, ele tem cerca de 80 centímetros. A alegria é a marca registrada deles. Quando se machucam, eles choram de dor, mas logo estão brincando novamente.
Maria Tereza conta essas histórias para crianças do ensino fundamental e elas não perdem um detalhe. Algumas, inconscientemente, chegam a imitar os sacis quando Maria Tereza falou da alegria que reina entre os sacis, que eles se ajudam, que se preocupam uns com os outros e que apesar da dor voltam a brincar rapidamente.
Ela lembra que um dia, logo depois de ter contado isso para um grupo de alunos, um deles tropeçou, caiu, começou a chorar e os amiguinhos foram consolá-lo. Em pouco tempo, ele levantou disse que estava tudo bem e voltou a brincar, numa imitação da história que haviam acabado de ouvir.
“É obrigação dos pais contarem histórias para seus filhos. Eles viajam no mundo da imaginação, chegam a fazer parte das histórias”, diz. Além de estimular a fantasia, contar histórias ajuda a desenvolver na criança o interesse pela leitura, argumenta Maria Tereza.