Esportes

Personagem: Em entrevista ao JC, secretário de Esportes revela planos para 2008

Gabriel Pelosi
| Tempo de leitura: 7 min

José Carlos de Freitas, secretário de Esportes de Bauru, é o terceiro nome que comanda a pasta na administração Tuga Angerami desde 2004. Assumiu o cargo no ano passado, depois de Antônio Carlos Barbosa e Edson Maitino.

Com larga experiência na área esportiva, Freitas enfrenta na Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel) situação inédita nos seus 35 anos de coordenação esportiva.

O secretário dribla críticas e faz funcionar escolinhas de 18 modalidades diferentes de esporte e lazer com um orçamento anual que não chega a 1% do total das despesas da prefeitura. Mesmo assim 3 mil crianças e adolescentes de Bauru são beneficiados pelas atividades oferecidas nas escolinhas da Semel.

Em entrevista ao Jornal da Cidade, José Carlos de Freitas falou do trabalho na Semel e das dificuldades da pasta. Prometeu para 2008 a entrega de dois estádios distritais e revelou o desejo de construir em Bauru um moderno ginásio de esportes. Leia a seguir a entrevista com o secretário.

Jornal da Cidade – Como se deu sua ligação com o esporte? Como surgiu o convite para assumir a Semel?

José Carlos de Freitas – Eu me formei em educação física, em 1970. Comecei a trabalhar como professor de educação física em escolas e entrei no Sesc de Santo André. No final de 1978 fui convidado para coordenar o Centro de Lazer e Esportes do Sesi, em Bauru. Fique no cargo até 1996 quando passei para supervisor regional. Sempre na área administrativa do esporte. Sempre gostei de esporte mas nunca fui bom em uma modalidade. Fui árbitro de futebol, futsal e handebol.

JC – Quando você assumiu o cargo de secretário de Esportes já sabia que não teria um orçamento satisfatório, já que a filosofia de trabalho proposta por Tuga prioriza o esporte como formação e recreação. Como é trabalhar em uma secretaria municipal com situações tão adversas como as que encontrou?

Freitas – Antes de eu assumir a secretaria eu já trabalhava na Semel como diretor de lazer. Então, eu pude ter a experiência de conhecer o funcionamento de uma secretaria. Quando eu assumi eu já tinha uma idéia de como as coisas caminhavam na secretaria. Realmente a verba destinada ao esporte não é grande, mas temos que reconhecer que o prefeito estabelece esses valores porque ele sabe que a cidade tem outras prioridades. E nós temos que trabalhar dentro desta previsão.

JC – Como é usado esse orçamento?

Freitas – Para 2007 eu tinha o orçamento de R$ 2.248.440. Só que desse total sobra apenas um milhão e 30 para investir no esporte, porque o restante é destinado a custos com folha de pagamento e encargos sociais, que são despesas que a secretaria não tem como mexer. Temos muitos professores que trabalham nas escolinhas da Semel.

JC - O discurso de que a política esportiva em Bauru é voltada para formação e recreação vai completar dois anos. O que tem sido feito para massificar essa prática entre a população bauruense?

Freitas – Nós temos escolinhas de praticamente todas as modalidades e quase todas estão lotadas. A procura é muito grande. Se tivéssemos mais espaços e professores teríamos condições de atender mais gente. Hoje, Bauru tem por volta de 3 mil crianças e adolescentes inscritos nas atividades da Semel.

JC - Investir apenas na formação de atletas e depois, quando chegam ao nível competitivo, “abandoná-los” porque a política da cidade não apoia o esporte competitivo, não seria uma maneira de desperdiçar o dinheiro investido inicialmente?

Freitas – Não. A intenção é motivar as empresas locais para que junto com os clubes da cidade possam dar a estrutura que o atleta precisa. E nós, através da Semel, colaboramos com alguns gastos. Por exemplo, a equipe de natação do BTC. Apoiamos a equipe, cedemos o transporte, pagamos as inscrições e ajudamos a custear a hospedagem para os atletas nas competições. Aí eles tem o parceiro deles que colabora também.

JC - Como a Semel lida com a cobrança de diversos setores da sociedade que são contra essa política de recreação e até dependiam desse apoio em competições e agora ficaram sem nada?

Freitas – As contas da prefeitura são todas supervisionadas pelo Tribunal de Contas (TCU). As contas de administrações anteriores não eram aprovadas pelo TCU, eram constatadas irregularidades. Então, o Tuga quer evitar isso. E isso dificultou um pouco o repasse de verba porque só podemos financiar despesas comprovadas.

JC - Nos Jogos Abertos que aconteceram em Praia Grande, como já era esperado, Bauru teve um desempenho pífio na maioria das modalidades. Fazendo uma comparação com os resultados da cidade em edições anteriores, você não acha isso nocivo ao esporte competitivo de Bauru?

Freitas – Acredito que não porque desde o início deste anos estamos fazendo um trabalho de renovação nas equipes de Bauru. Você pode ver que a maioria das modalidades foram para os jogos na categoria sub-21. Estamos remodelando estas equipes. Estamos objetivando os Jogos Regionais para conseguirmos mais modalidades classificadas para os Abertos. É um trabalho que vai ter ótimos resultados a médio prazo.

JC - Os estádios distritais estão em péssimas condições, não só os gramados, mas arquibancadas, banco de reservas, cobertura para mesários e imprensa. A grande maioria precisa de reformas estruturais. O orçamento anual de 0,9% do bolo que dá pouco mais de 2 milhões de reais é satisfatório para os compromisso da pasta e para as reformas?

Freitas – Este ano já demos uma melhorada. Tivemos que colocar cadeado e grades nas portas e janelas porque o pessoal roubava até registro de água da parede dos vestiários. Esse foi nosso primeiro passo. Mas estamos programando para o início do ano fazer uma nova manutenção.

JC – A prefeitura tem alguma previsão de construção de novas praças esportivas?

Freitas – Temos um projeto pronto para o Parque São Geraldo. Vamos construir um estádio distrital em um terreno da prefeitura ali. E o Edmundo Coube estamos reformando todo. Vamos fazer uma pista de atletismo, fazer um sistema de drenagem no campo, reformar os vestiários e bilheterias. Essa é a primeira etapa. Para a segunda etapa estamos programando fazer na continuação do terreno do Edmundo Coube quadra poliesportiva, pista de skate, quadra de basquete três e quiosque com churasqueira.

JC – E dará tempo de terminar tudo até o final de 2008?

Freitas – A reforma dá, já a ampliação não, porque demora mais um pouco. Pretendemos entregar o Edmundo Coube e o distrital do Parque São Geraldo até o aniversário de Bauru em 2008. Depois de prontos, esses dois estádios serão os melhores de Bauru.

JC - A Semel promove campeonatos de vôlei, futsal e futebol, mas você não acha pouco só a Copa Big Boys como grande evento do calendário esportivo da cidade?

Freitas – Esse ano a Copa Big Boys teve 124 equipes e quase 2.700 atletas inscritos. Foram realizados 367 jogos e 15 cidades participantes. Esse evento atende quatro categorias. A Semel ainda contribui para a realização dos campeonatos de futebol amador de Bauru masculino e feminino. São eventos grandes que atendem grande parte da população.

JC - Tem alguma atividade sendo realizada na piscina municipal da vila Razuk?

Freitas – Tem escolinhas de natação para crianças e hidroginástica para senhoras. Tem muita procura, só que ela funciona de setembro a abril porque não tem aquecimento. Mas tem até fila de espera. E para o ano que vem pretendemos utilizar a piscina do CSU da Bela Vista também.

JC - Porque os estádios distritais (Luiz) Edmundo Coube e Waldemar de Brito não têm atividades?

Freitas – O Waldemar de Brito fica em uma travessa da Castelo Branco. Ele é pouco usado porque não tem dimensões oficiais de um campo de futebol. Ele foi feito em uma outra administração, pegaram uma quadra e fizeram um gramado. Ele é usado para escolinhas, só não pode ser utilizado para mandar jogos das ligas. E o Edmundo Coube não é utilizado porque, como já falamos, está passando por reformas e será entregue no próximo ano.

JC – Bauru tem uma demanda de praças esportivas. Na sua opinião, o que mais falta para o esporte de Bauru?

Freitas – Olha, Bauru precisa de um ginásio de esportes decente. Temos a panela de pressão, que não é da prefeitura e tem vários problemas estruturais. Mas ela não deixa de ser um espaço nobre que não está sendo aproveitado. Nós temos a intenção de tentar junto ao governo federal uma verba para construir um ginásio de esportes decente e grande e que possa comportar grandes eventos. Bauru precisa de um espaço desse.

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