Neste ano foram poucos os dias de frio que fizeram o bauruense sair de casa “encapotado”. Pelo contrário, está muito calor. Nas tradicionais conversas entre vizinhos, papo comum é falar sobre o clima abafado. O que ninguém sabe é que, utilizando embalagens tetra pack, como as caixas de leite e suco, é possível isolar uma casa do calor e manter o clima agradável até mesmo no verão.
A “descoberta” é de um professor de língua portuguesa em conjunto com um grupo de alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Santa Maria, da Vila Cardia. Durante o segundo semestre letivo, a direção da escola lançou um projeto de conscientização ambiental que envolveu os 930 estudantes da instituição e foi encerrado no sábado, com uma exposição sobre diversos temas ligados ao meio ambiente.
Das 8h ao meio-dia, os alunos promoveram à toda a comunidade palestras sobre aquecimento global, reciclagem, uso racional dos recursos naturais. Além disso, eles também apresentaram invenções construídas com materiais que seriam jogados no lixo e promoveram três oficinas ensinando como reaproveitar embalagens.
Em meio ao fervilhar de idéias ecologicamente corretas, se destacou a manta térmica composta de alumínio que reveste a parte interna das caixinhas de leite. A invenção, instalada entre o forro e o telhado das casas, é capaz de refletir o calor. “O sistema reduz em nove graus Celsius a temperatura ambiente de uma sala, refletindo 95% da radiação infra-vermelha proveniente do Sol”, explica Nivaldo Aranda, professor que incentivou os alunos a pesquisarem métodos para reutilizar as embalagens usadas.
Ele explica que a invenção foi descoberta pela Internet e, através dela, os alunos fizeram todas as pesquisas necessárias sobre o assunto. “Há pouco tempo li uma matéria sobre o problema das caixas de leite, que não têm destinação. Então quis incentivar os alunos a desenvolverem algo prático para solucionar esse problema e eles descobriram esse sistema no site da Unicamp (Universidade de Campinas)”, revela o professor.
Aranda atenta para a possibilidade da prática ser incorporada ao setor de construção civil. “Isso pode sensibilizar os empresários porque mostramos que é possível a transformação de um produto que iria para o lixo numa invenção que traz mais conforto dentro de casa”, destaca.
Iniciativa aprovada
Os alunos da escola aprovaram a iniciativa de promover a consciência ambiental entre os jovens. “É muito bacana porque a maioria dos colégios faz eventos como este. Nós precisamos ter consciência porque, afinal, seremos os responsáveis por construir o futuro do planeta”, afirma Catarina Tognoli Sarra, de 13 anos, estudante da 7ª série.
Os jovens também ficaram surpreendidos com a presença em massa de suas famílias e também dos vizinhos da escola. “Não esperávamos que viesse tanta gente”, diz Higor Boconcelo, de 15 anos. “Gostei muito porque a escola permitiu que nós utilizássemos todos os recursos disponíveis para adquirirmos e repassarmos informações importantes para a comunidade”, completa.
Segundo a diretora da escola, Margareth Noemi Karg Quirino, destaca que o engajamento ambiental da instituição não irá parar por aí. “Esse foi encerramento das atividades do projeto neste ano. Queremos continuar promovendo a consciência, tentando envolver toda a comunidade para a questão do reaporveitamento”, afirma.