Buenos Aires - A proibição de fazer campanha no dia da eleição não impediu a oposição de dar declarações contundentes ao ir votar ontem. Elas couberam a Alberto Rodríguez Saá, governador de San Luís e quarto colocado nas pesquisas.
“Já fizemos denúncias por falta de cédulas (de sua candidatura). O Correio (responsável pela distribuição) faz isso de propósito. Temos que derrotar a fraude. É a primeira vez desde 1946 que se vislumbra tão fortemente a possibilidade de fraude”, afirmou o candidato do peronismo dissidente.
A oposição acompanharia a apuração dos votos com fiscalização coletiva e troca de dados dos cinco principais candidatos antikirchneristas.
O objetivo, dizem, é evitar fraudes. O cineasta e candidato a presidente Pino Solanas não se uniu à fiscalização comum, mas também reclamou da suposta ausência de cédulas de sua candidatura. “Tem algum bicho misterioso que come cédulas e com uma estranha preferência pelas nossas.”
Na Argentina, as cédulas já vêm impressas com o nome dos candidatos. O eleitor escolhe uma delas e a deposita dentro de um envelope, que depois é colocado numa urna. Caso não encontre a cédula do seu candidato, pode avisá-lo ao mesário - mas Solanas, por exemplo diz que, por vergonha, os eleitores deixam de fazê-lo.
Mais bem posicionados entre os oposicionistas, a ex-deputada Elisa Carrió e o ex-ministro da Economia Roberto Lavagna se mostraram mais tranqüilos ao votar.
Lavagna anunciou que, antes de acompanhar a apuração, encontraria tempo para se reunir com a família e tirar uma sesta. Já Carrió disse estar “muito tranqüila e serena”. “Estamos esperando a votação do povo, que é o que vale”.