Internacional

Boca-de-urna dá vitória a Cristina

Por Rodrigo Rötzsch e Fernando Canzian | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Buenos Aires - Pesquisas de boca-de-urna divulgadas ontem indicam que a senadora e primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner venceu a eleição presidencial argentina sem a necessidade de um segundo turno.

A eleição ocorreu em meio a atrasos por falta de mesários e denúncias de irregularidades pela oposição. A Justiça eleitoral decidiu prorrogar em uma hora o prazo da votação depois que às 17h foi divulgado que, a uma hora do fechamento das urnas, só metade dos eleitores argentinos havia votado.

O motivo principal foi o atraso no início da votação por ausência de mesários. Duas diferentes pesquisas de boca-de-urna deram cerca de 46% dos votos a Cristina, contra 24% de sua rival mais próxima, Elisa Carrió.

O ex-ministro da Economia de Kirchner Roberto Lavagna teria entre 13% e 14% dos votos. A Constituição argentina prevê que um candidato é eleito no primeiro turno se supera 45% dos votos ou se tem mais de 40% e com vantagem superior a dez pontos sobre o segundo colocado.

A falta de mesários convocados, principalmente na capital federal, atrasou em até duas horas o início da votação. E gerou filas de mais de uma hora para os eleitores chegarem às urnas.

A insistência dos fiscais dos partidos oposicionistas em verificar constantemente se havia cédulas de seus candidatos nos chamados “quartos escuros” aumentou ainda mais os atrasos. Daí a decisão de estender o prazo da votação, tomada pela primeira vez desde a volta da democracia, em 1983.

Cristina vota

A primeira-dama e favorita a substituir Néstor Kirchner na Casa Rosada não teve problemas para votar. Ela o fez logo cedo em Río Gallegos, capital da Província de Santa Cruz, onde viveu por 30 anos antes de Kirchner ser eleito presidente.

Lá, segundo menor colégio eleitoral argentino, não houve maiores atrasos na votação. Ao votar, Cristina não se referiu a expectativas de vitória - nem poderia fazê-lo, pois violaria a proibição de fazer campanha.

Procurou, em vez disso, salientar o caráter histórico da eleição, a sexta desde a redemocratização argentina, em 1983. “Quando eu tinha 18 anos (em 1971), não podia votar. Então, é muito importante. Pela continuidade da democracia, talvez não se possa apreciar o valor de que cada cidadão possa decidir em que país quer viver. Eu, que fiz parte de uma geração em que ninguém podia decidir nada, valorizo isso de uma forma muito especial”, disse.

Kirchner também votou em Rio Gallegos: “Creio que, depois do que nos aconteceu em 2001, recuperar a normalidade institucional é muito importante. Tudo vai estar melhor'”, disse, em referência à crise econômica que levou o país à moratória naquele ano. Depois de votar, o casal presidencial viajou para Buenos Aires. O primeiro discurso pós-eleitoral de Cristina estava previsto para o final da noite de ontem, quando deveriam surgir os primeiros resultados oficiais.

Além de presidente, os mais de 27 milhões de eleitores argentinos votaram ontem para renovar 130 das 257 cadeiras da Câmara dos Deputados e metade das 72 vagas no Senado. Além disso, oito Províncias elegeram seus governadores. Se confirmada a eleição de Cristina, ela tomará posse no próximo dia 10 de dezembro, com mandato até 2011 e direito à reeleição.

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