Polícia

Clima é de expectativa na P1 e P2

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

O clima nas penitenciárias 1 e 2 de Bauru, que estariam sendo transformadas em unidades de regime semi-aberto, é de expectativa e incerteza entre os agentes penitenciários. Eles não serão informados sobre detalhes da transferência dos presos até momentos antes de a operação ser iniciada. A precaução, segundo os agentes, teria sido uma determinação da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) para evitar tentativas de resgate durante o transporte dos condenados. Mas, com isso, a população não ficará sabendo se a mudança realmente está sendo feita.

A expectativa é de que, ainda nesta semana, os detentos comecem a ser transportados em massa para os presídios de Itirapina e Guareí. Com isso, a SAP deverá implementar a mudança de regime fechado para o semi-aberto nas duas penitenciárias de Bauru, o que deve ocorrer até o final deste mês, segundo avalia o Sindicato dos Servidores Públicos do Sistema Penitenciário Paulista (Sindcop).

O JC conversou ontem com agentes da P1 que deixavam o local depois de encerrar o turno de trabalho. Todos eles foram enfáticos ao afirmar que a transferência ainda não havia sido iniciada e que a lei do silêncio imposta pela diretoria dos presídios tem causado receio tanto por parte dos funcionários quanto dos próprios detentos.

“Aparentemente os presos estão aceitando tudo numa boa, mas a gente nunca sabe o que pode acontecer”, diz um agente, alertando para a possibilidade de haver uma rebelião no local. “Por enquanto, continuamos aguardando. Ninguém tem certeza de nada, mas a transferência acontecerá a qualquer momento, em até dois ou três dias”, acredita o funcionário, que preferiu não se identificar. Segundo informou o agente, existe uma certa urgência da SAP em realizar a transferência dos internos e toda a operação só depende da conclusão da desocupação dos presídios de Itirapina e Guareí para ser iniciada.

Consultada pela reportagem, a SAP informou, por intermédio de sua assessoria de imprensa, que procedimentos internos não são divulgados à imprensa por medida de segurança. “Qualquer informação sobre transferência de presos, bem como o andamento do processo de escolha dos novos diretores dos dois presídios, não serão divulgados”, menciona a assessoria.

Enquanto isso, o Sindcop continua coletando o maior número possível de assinaturas para pressionar a SAP a desistir da alteração do sistema. “Enquanto o secretário (da SAP) não nos atender, continuaremos a correr a lista no Calçadão, em entidades e empresas. Estamos conversando com os vereadores para tentar marcar uma audiência com ele. As coisas estão sendo feitas na calada da noite e queremos saber de fato o que vai acontecer”, destaca João Offerni Primo, presidente do sindicato.

Para ele, a transferência dos presos só não foi iniciada ontem graças à pressão dos agentes penitenciários, à mobilização da população e ao amplo debate divulgado pela imprensa sobre o assunto. “Por enquanto, ainda não está havendo transferências. Mas precisamos dar seqüência a essa mobilização. Já estamos fazendo contato com alguns deputados estaduais para que intercedam junto à secretaria”, frisa.

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