Para ao gentes penitenciários, o trabalho dentro dos presídios não mudará praticamente em nada com a transformação do sistema prisional para semi-aberto. “Eles podem sair para a rua e fazer o que quiserem, então não vão causar problemas para os funcionários. Mas, para a cidade, vai ser horrível”, observa um agente penitenciário, que preferiu não ter o nome divulgado. E é por isso que representantes da indústria, comércio e agricultura são contra a mudança. Segundo ele, em locais onde há regime semi-aberto, tradicionalmente ocorre a proliferarão de integrantes de facções criminosas vindos de diferentes regiões, o que iria aumentar a sensação de insegurança na cidade.
Com a previsão de abertura de mais 1.800 vagas no regime semi-aberto, a mudança de sistema também representará um número muito maior de detentos circulando pelas ruas e em condições de trabalhar. Em geral, eles significam mão-de-obra mais barata para as empresas pela ausência de encargos trabalhistas, o que pode gerar uma concorrência desleal e problemas econômicos para a cidade.
Para Maurício Lima Verde, presidente do Sindicato Rural de Bauru, o momento em que se suscita a possibilidade da vinda de presos do semi-aberto para Bauru é extremamente inoportuno. Segundo ele, durante o período de novembro até abril o setor rural da região demanda pouca mão-de-obra.
“Entre maio e outubro, época da colheita de cana-de-açúcar, laranja e café, a demanda por mão-de-obra aumenta em cerca de 70%. Mas, neste momento, não há trabalho na área rural e despejar essa população na cidade será um grande problema”, destaca.
Já Cássio Carvalho, vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), não acredita que os presos em situação de semi-liberdade representem ameaça aos trabalhadores da cidade. “A indústria necessita de mão-de-obra especializada e a grande maioria deles não tem qualificação para esse tipo de trabalho”, afirma. Segundo ele, a cidade será atingida principalmente em relação à falta de segurança. “Haverá mais pessoas vinculadas ao crime soltas pela cidade, sem trabalho, e a possibilidade de aumentar o índice de pequenos furtos é grande”, acredita.
Assim como Carvalho, Domingos Malandrino, diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), avalia que o sistema prisional semi-aberto, aliado à falta de empregos na cidade, pode representar o crescimento da criminalidade. “Além dos presos, muitas famílias devem vir morar em Bauru para ficarem perto de seus parentes. Esse contingente acabará se alojando na periferia e isso pode agravar ainda mais o quadro social da cidade”, observa.