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Professor estadual se aposenta antes do que em país desenvolvido

Folhapress
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São Paulo - Os professores da rede estadual de São Paulo se aposentam mais cedo do que os docentes de países desenvolvidos, segundo pesquisa apresentada ontem em um seminário na faculdade Ibmec São Paulo. De acordo com o levantamento do professor da FGV-RJ Samuel Pessôa, os docentes do sistema paulista se aposentam, em média, aos 52 anos.

O número é inferior ao dos 11 países da OCDE (entidade que reúne os países desenvolvidos) que possuem dados disponíveis. Noruega, Itália e Holanda têm as médias de idade mais altas (passam dos 60). O número da rede estadual de São Paulo só é superior ao das professoras da Coréia (47 anos). Para os professores coreanos, porém, a média é de 53.

Pessôa analisou a folha de pagamento deste ano da rede estadual paulista a pedido do Ibmec, Instituto Futuro Brasil, Fundação Lemann e Gerdau para o seminário “Gastos com Educação - Um Reflexo da Gestão e da Legislação”. “O Estado precisa repor os professores precocemente e ainda pagar as aposentadorias. Não há sistema que consiga ser solvente com esses parâmetros”, afirmou Pessôa.

O estudo mostra que a secretaria da Educação gasta, mensalmente, R$ 354,7 milhões com os professores ativos e R$ 190,9 milhões com os inativos. A despesa com os aposentados foi um dos argumentos usados pelo governador José Serra (PSDB) para explicar o porquê de o Estado possuir apenas o 10.º melhor salário inicial do país para docentes. Experiência “52 anos é cedo para se aposentar. É uma idade que o professor tem muito a contribuir”, disse Célio da Cunha, assessor especial da Unesco no Brasil. “Mas esse não é um problema só dos professores. Em geral, aposenta-se cedo no Brasil”, completou Cunha.

Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresentados em julho, os brasileiros se aposentam, em média, aos 55 anos, número superior ao dos docentes. “As condições dos professores são tão precárias que, assim que podem, se aposentam”, disse o professor da Faculdade de Educação da USP José Augusto Dias. “Deveria haver estímulos para que eles permanecessem trabalhando, para não perdermos essa experiência.”

O presidente da Apeoesp (sindicato dos professores da rede estadual), Carlos Ramiro de Castro, também cita as condições de trabalho como explicação. “Com classe superlotada, jornada tripla, o professor chega aos 50 anos muito desgastado”, disse Castro. “Nos outros países comparados, as condições são melhores.”

O sindicalista concorda, porém, que a média de idade para aposentadoria na rede é baixa. “O governo deveria criar políticas para incentivar que esses professores permanecessem na rede, talvez diminuindo a carga horária na sala de aula e transferindo-a para funções de coordenação ou orientação.”

A secretaria da Educação afirmou que os docentes, a qualquer momento da carreira, podem entrar na seleção para professores-coordenadores. A pasta disse ainda que os qüinqüênios (reajuste a cada cinco anos) são um atrativo para o professor continuar na ativa. Outra conclusão do estudo é que os professores aposentados ganham, em média, mais do que os da ativa: R$ 1.541,00 ante R$ 1.461,00. Segundo a secretaria, a explicação para esse fato é que os aposentados acumulam mais benefícios (como os qüinqüênios) do que os iniciantes.

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