Uma multidão assiste a um show no Recinto Mello Moraes em Bauru. De repente, a queda de uma das arquibancadas substitui o cenário de alegria pelos gritos de desespero das pessoas reunidas no local. Em meio ao corre-corre em busca de socorro, algumas pessoas são pisoteadas, gravemente feridas e outras, assustadas, percorrem o gramado em busca dos parentes no acidente que deixou mais de 150 vítimas. Essa foi a cena ontem no recinto, mas era apenas um simulado.
Das vítimas, 50 simularam ter sofrido ferimentos graves e algumas ter morrido no acidente. Para dar maior realidade à operação, elas estavam maquiadas, como se realmente estivessem feridas, inclusive sangrando. Além dos primeiros socorros no local, encaminhamento para hospital, investigação das causas da queda da arquibancada e identificação dos mortos, a operação incluiu remoção de corpos, com caixão, como se fosse um acidente de fato.
Coordenado pela Secretaria Municipal de Saúde através do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a simulação contou ainda com a participação do Corpo de Bombeiros, Polícias Militar e Civil, Instituto de Criminalistica, Instituto Médico Legal (IML), Emdurb e Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan). É a primeira vez em Bauru que se realiza, em conjunto, um simulado com tantos órgãos de resgate, socorro e investigação policial.
O objetivo maior da simulação foi avaliar todo o sistema de atendimento a vítimas de acidentes da cidade, não apenas no local da ocorrência, como a capacidade de acolhimento de feridos por parte nos hospitais. Bauru realiza anualmente vários eventos como shows, jogos e feiras agropecuárias e, grande parte deles é feita no Recinto Mello Moraes.
Para o tenente Gustavo Cardoso Xavier, da Polícia Militar, é importante treinar todos os profissionais para que eles estejam devidamente preparados caso ocorrências como essa venham a acontecer. O treinamento começou com a ação dos bombeiros que retiravam as pessoas das arquibancadas.
Em conjunto com as Polícias Militar e Civil e as equipes do Samu, a área foi isolada e as pessoas começaram a ser socorridas. Lonas de diferentes cores foram estendidas no chão para que as vítimas fossem alojadas de acordo com a gravidade dos ferimentos.
Para o delegado Dinair José da Silva, a participação de vários órgãos, que normalmente são envolvidos em casos de acidentes reais, foi positivo. “A Polícia Civil esteve no local e colheu informações das causas do acidente; foi feita a identificação dos mortos; o IML apontou a causa dos óbitos e o Instituto de Criminalística vai, inclusive, emitir laudo do que levou ao acidente, como se tivesse acontecido mesmo”.