Zurique - Vedete da apresentação brasileira no evento que garantiu a Copa de 2014 no País, a questão ecológica é regulamentada pela Fifa de forma menos enfática que o tratamento dispensado pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) ao tema. Além do fato de o comitê ser um dos “principais parceiros” do Programa Ambiental da ONU, com relação mais antiga que a da Fifa com o órgão, a questão dos estacionamentos ilustra bem a diferença.
Enquanto a entidade que comanda o futebol mundial exige áreas para os espectadores da Copa deixarem seus veículos durante as partidas, a vanguarda do movimento olímpico internacional prega eventos sem estacionamentos, com 100% dos espectadores atendidos pelo transporte público.
Na semana passada, a organização das Olimpíadas-2012, em Londres, apresentou seu plano de transporte para o evento, enfatizando o fato de haver previsão de estacionamento nas instalações esportivas só para veículos de deficientes físicos.
“Temos um programa muito agressivo para fazer os Jogos mais verdes dos tempos modernos. Queremos deixar tanto o legado de infra-estrutura quanto o da maneira como a população encara o transporte e sobre como ela deve ir a eventos esportivos e culturais”, declarou Hugh Sumner, responsável pelas operações de transporte das Olimpíadas de 2012.
A iniciativa contrasta com os requisitos da Fifa, que impõe a necessidade de estacionamentos até em eventos subsidiários, como sorteios, simpósios e o banquete da associação.
Para o público, a demanda é de uma área para 6.000 carros e 2.300 ônibus a cada 40 mil lugares nos respectivos estádios. E o Brasil tem que apresentar o plano da localização e gerenciamento dos estacionamentos em 1º de janeiro de 2012. O curioso é que na Copa da Alemanha-2006, uma iniciativa do comitê organizador e do ministério do meio-ambiente, o “Projeto Gol Verde”, teve bons resultados ao estimular o uso do transporte público.
A cidade de Munique, por exemplo, estimava que entre 30% e 40 % dos espectadores usariam o transporte público para ir aos jogos. Atingiu 60%. Segundo a organização, o uso de carros privados para ir aos jogos ficou em torno de 30%.
As exigências da Fifa acerca do meio-ambiente não prevêem especificamente estudos de substituição de transporte particular pelo público. Mas obriga que as cidades-sede informem a evolução da qualidade do ar nos últimos cinco anos e apresentem um plano de proteção ao meio-ambiente (inclusive com a exigência de usar material de construção menos agressivo nas obras relacionadas à competição).