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Copa 2014: Candidatos a astros são imigrantes

Folhapress
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Rio de Janeiro - Eles podem estar no auge das carreiras em 2014. E jogar no Brasil, um país sem a riqueza dos últimos que sediaram uma Copa do Mundo, não será tão estranho para eles. A geração de astros adolescentes que já brilha na Europa - todos defendem seleções relevantes e terão entre 23 e 27 anos no Mundial do Brasil - faz parte de uma turma globalizada cuja pobreza obrigou suas famílias a tomar o rumo do eldorado europeu.

A lista de maiores apostas hoje para craques de 2014 é recheada dessas histórias. A começar pela maior delas. A crise argentina no início dos anos 2000 e a falta de dinheiro para o pagamento de um tratamento para uma doença óssea que retardava o crescimento de Lionel Messi fez a família do hoje astro do Barcelona mudar para Espanha quando ele tinha 13 anos.

A imigração de famílias fugindo da pobreza do Terceiro Mundo fez com que seleções européias tenham fortes candidatos a astros da Copa de 2014. A família do meia-atacante Nani, do Manchester United, trocou Cabo Verde por Portugal quando ele tinha só oito anos. Ele até poderia defender a modesta seleção africana, mas optou pela equipe européia, e já tem espaço com Luiz Felipe Scolari.

O atacante Benzema, 19, a nova sensação francesa (é o artilheiro do atual Nacional com 11 gols em 12 jogos), tem sangue argelino e sabe bem o que é preconceito. Sua família é de uma minoria (kabyle) com problemas dentro da Argélia. Na França, enfrenta os problemas dos imigrantes africanos.

O atacante Theo Walcott, maior promessa da Seleção Inglesa, é de família jamaicana. Os pais de Drenthe, novo astro holandês, são do Suriname. O pai do atacante espanhol Bojan, maior promessa de seu país em anos, é sérvio. Essas mudanças não são exclusividade da Europa. Com só oito anos, o atacante Freddy Adu trocou Gana pelos EUA e desde garoto virou a esperança do futebol local. Giovani dos Santos, a maior revelação do futebol mexicano em muitos anos, é filho de brasileiro.

Toni Kroos, eleito o melhor jogador do último Mundial sub-17 e maior esperança do Bayern de Munique para os próximos anos, também mudou de status mesmo sem sair do país onde nasceu. Ele nasceu e cresceu numa decadente cidade da antiga Alemanha Oriental, com desemprego muito maior do que o lado ocidental e qualidade de vida bem mais baixa.

A mais recente revelação do futebol brasileiro não trocou o País pela Europa por causa da pobreza familiar, mas é outra face do futebol globalizado: Alexandre Pato deixou o Internacional pelo Milan.

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