Pesca & Lazer

História de pescador: Coisas de pescador: ‘Acorda, Berto’


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Costumo pescar em Mato Grosso. Todo o ano é sagrado. A gente vai até Corumbá e de lá segue em navio subindo o rio Paraguai até a bacia de Uberaba, mais ou menos 400 quilômetros de caminhada. Eis que numa dessas viagens encontro um velho conhecido da Vila Bela Vista (Bauru) chamado Berto na cidade de Apucarana, por onde a gente estava passando a caminho de Corumbá, e ele me conta que havia residido nesta cidade de Bauru por muitos anos vindo de um outro município pequeno de Minas Gerais.

Quando veio para Bauru era ele, a mãe e um papagaio. Desempregado, dormia dia e noite, pois não tinha o que fazer. Sua mãe não se conformava com o filho, vendo-o dormindo. Gritava dia e noite aos quatro cantos da casa: “Acorda, Berto. Acorda, Berto. Acorda, Berto”. E o papagaio, nesse clima de gritaria, repetia incessantemente: “Acorda, Berto. Acorda, Berto. Acorda, Berto”.

Até que um belo dia o papagaio foi roubado. Anos e anos se passaram. Mãe e filho mudaram-se para a cidade de Apucarana, numa pequena aldeia ao lado do rio cuja cidade lhe empresta o nome. Decorridos alguns dias, numa madrugada, o Berto e a mãe ouvem estarrecidos: “Acorda, Berto. Acorda, Berto. Acorda, Berto”. Não é que o cara (ladrão) que roubou o papagaio também estava morando na aldeia ali mesmo em Apucarana?

Elpidio Cristino Lima é pescador e contador de histórias.

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