Tribuna do Leitor

Lição de casa: ensinar a viver junto!


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O ser humano é uma unidade complexa, um todo, com características próprias que o identificam como tal, e está situado dentro de um contexto que o abriga, o envolve, que o influencia e é por ele influenciado, fazendo parte de uma rede de relações com o universo. Portanto, a pessoa pode ser vista como um todo e, ao mesmo tempo, como parte de um todo maior que a reveste.

Cada ser humano é único, possui características próprias dentro das dimensões biológica, psicológica, social e espiritual, que o tornam diferente dos outros seres. Por isso, quando nos propomos a estudá-lo, não podemos desvinculá-lo de seu habitat natural, de seu contexto e da sua rede de relações.

A finalidade de conhecermos, na qualidade de educadores, o desenvolvimento humano, ou seja, as modificações comportamentais resultantes tanto do amadurecimento físico e mental quanto da estimulação variada do ambiente, consiste na necessidade de compreendermos o conjunto de abstrações que compõem nossos alunos. Isso porque cada um apresentará um ritmo de produção diferente do outro, pois carregará consigo, além das características genéticas, as influências advindas do meio ambiente no qual convive.

Sabemos que os valores adquiridos ao longo da vida, a postura diante do mundo e o relacionamento humano são elementos fundamentais para o processo de ensino-aprendizagem. Por isso, a educação não deve estar dissociada da vida do aluno, notadamente por configurar-se na soma de todos os processos de transmissão do conhecimento e de cultura adquiridos ao longo da vida.

A criança constrói a primeira imagem de si a partir das suas relações com a família. No entanto, na escola ela terá a oportunidade de confirmar ou modificar o seu conceito, residindo aí a importância do educador, que é o mediador e dinamizador do processo ensino-aprendizagem.

Portanto, o educador deverá propiciar o estabelecimento de vínculos afetivos à luz da interação, da fraternidade e da união, pois um mínimo ato de respeito à individualidade, às particularidades e ao jeito de ser de cada aluno pode transformá-lo sobremaneira rumo à aquisição de novos, melhores e mais significativos conhecimentos.

Devemos primar sempre pelo estabelecimento de ações que reforcem a importância do respeito ao próximo, notadamente quando temos a convicção de que tais ações podem e devem ser voltadas à aquisição de respeito mútuo. E mais: implicam em importantes elementos que farão a diferença entre uma educação que prima, acima de tudo, pelo viver juntos, e uma outra que não consegue alcançar tais objetivos. Pois, afinal, ensinar a viver junto é uma ação de formação que contribui para a dignidade humana e para o reconhecimento dos outros que estão à sua volta. A tarefa é árdua, porém necessária!

Já Spinoza e a propositura de que a felicidade dos indivíduos só seria possível num estado que permitisse a manifestação da liberdade, pois defendia a organização política democrática, baseada na liberdade de pensamento e opinião em todos os níveis, e na igualdade de direitos entre os homens, veio ao encontro do que penso também, pois o homem sem liberdade é um mero ocupante de um espaço, como um “bibelô” que enfeita uma estante

Elaine Mussi Hunzecher Quaglio - aluna do 2.º ano de Licenciatura em Filosofia - Ead - Centro Universitário Claretiano - Pólo Rio Claro

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