Regional

P1 e P2 podem abrigar criminosos como o suspeito de matar agricultor

Por Davi Venturino | Com Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Arealva - A Polícia Civil de Arealva (41 quilômetros de Bauru) ainda não tem pistas sobre o paradeiro de Aparecido Cavilha Gomes, fugitivo da Penitenciária 2 de Bauru, acusado de ter matado e ocultado o corpo do agricultor de Arealva (41 quilômetros de Bauru), Ricardo Alexandro de Oliveira. A situação envolvendo o fugitivo e a morte do agricultor reflete a preocupação da população de Bauru com a possibilidade da mudança de regime fechado para o semi-aberto nas Penitenciárias 1 e 2.

O corpo do agricultor foi localizado no dia 22 de novembro dentro de uma fossa, em uma propriedade rural no bairro de Vanglória, em Arealva, após 37 dias desaparecido. Para a polícia, o fugitivo da Penitenciária, que usava o nome falso de Paulo, é o principal suspeito do crime. Ele está foragido.

Com pena para ser cumprida até 2050, Gomes foi beneficiado com a saída temporária do Dia dos Pais, em 2006, e não retornou à penitenciária. Desde então está foragido. Gomes estava cumprindo pena por prática de roubos qualificados, extorsão mediante seqüestro, latrocínio e homicídio qualificado. No entanto, acabou sendo beneficiado pela Justiça para cumprir pena no semi-aberto, medida posteriormente sustada após sua fuga da P2.

Não é raro os detentos serem beneficiados pelo regime de progressão. A mudança de regime do sistema fechado para o semi-aberto nas penitenciárias P1 e P2 em Bauru, em curso na Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), deve trazer ao município uma população carcerária cujos detentos poderiam circular pela cidade beneficiados pelo sistema semi-aberto.

Isso implicaria na possibilidade de outros detentos, como no caso de Gomes, não retornarem à penitenciária, ao gozarem do benefício do semi-aberto, e expor a população a um condenado fugitivo, com a possibilidade de ocorrer tragédias, como a vivida pela família do agricultor de Arealva.

Oliveira foi vítima de um crime brutal, com ocultação de cadáver. Ele foi jogado na fossa de uma propriedade da amásia do suspeito. Segundo relatou na época o delegado titular da delegacia de Arealva, Cledson Luiz do Nascimento, a amásia de Gomes não teria envolvimento no crime. Oliveira pode ter morrido ao ir cobrar uma dívida de venda de gado.

De acordo com matéria publicada pelo JC no dia 26 de outubro, a Promotoria de Execuções Penais, calcula que são necessárias 1.800 vagas de semi-aberto na região. Para suprir esta demanda, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) trabalha para esvaziar outros presídios, como o de Itirapina (SP), e levar os presos do regime fechado da P1 e P2 para esses locais. Com isso, a cidade seria povoada por detentos do semi-aberto. A preocupação é tão grande que a subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e os Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs) se posicionaram contrários à mudança do regime fechado para semi-aberto das penitenciárias 1 e 2 de Bauru.

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