Cultura

Samira & Neto se despedem dos palcos

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 2 min

Beth Carvalho, Elis Regina, Marisa Monte e outros nomes da MPB ocupam as duas fileiras da estante destinadas aos CDs, no apartamento da cantora Samira Abdul Aziz, no Parque dos Sabiás, em Bauru. Mas o dinheiro para comprar esses discos veio do sertanejo, do forró e do axé, que ele interpretou durante a parceria com Darcy Bernardi Neto no teclado.

Ele, 28 anos, cirurgião dentista, se cansou da noite. “Você precisa se privar de festas familiares, reuniões”, cita. A renda também já foi melhor. “Antes, ganhávamos um salário mínimo por semana e dois no final de semana”, conta Samira.

“Prostituíram o mercado”, resume a cantora, para não divulgar os cachês pagos atualmente. Com 42 anos, um filho de 21 anos e uma menina de 7, Samira teve que complementar o orçamento vendendo roupas e lingeries.

Neto decidiu abandonar os palcos e se dedicar ao seu consultório. “Também pretende fazer uma especialização em endodontia”, revela. Samira sabia da vontade do parceiro desde o ano passado e procurou um novo nome, Marcos Félix. “Antes dela cantar com o Neto, eu propus uma parceria e ela não aceitou. Agora, veio me procurar”, diz, irônico.

“Vamos fazer um trabalho legal, com repertório variado e em versões acústicas”, avisa o violonista de 42 anos. A estréia da dupla será nesta noite, a partir das 20h, na Joilson’s Choperia (avenida Nações Unidas, 28-21). Interessados em contratar o show dos músicos devem ligar para (14) 3016-8007 ou 3236-4703.

Histórias

Talvez você não tenha notado. Mas, durante cinco anos, ou 4 anos e 8 meses para ser precisa, a dupla Samira & Neto foi responsável por aquele som de fundo ouvido em várias choperias e pizzarias de Bauru e região. “É comum a gente tocar e os outros ficarem vendo TV, comendo. É horrível”, lamenta a cantora.

Nenhum deles quis ser um pop star. Samira até gravou um disco há dez anos em São Paulo, que nunca foi lançado. Não tinha dinheiro para bancar a divulgação. “Meu parceiro e marido, na época, o Paulinho, que incentivou. Mas eu mesma nunca quis esta vida de assédio”, afirma.

O mais alto que Neto sonhou foi integrar a orquestra de Roberto Carlos. Depois se contentou em ouvir MPB e jazz durante o dia para, à noite, tocar de tudo no teclado. “A gente tem que agradar gregos e troianos”, justifica Samira, que, ao acordar, já liga o rádio para ficar “antenada”.

Nessa parceria, ambos não se recordam de brigas, nem discussões. Algo engraçado? Neto pensa um pouco antes de contar. No começo da dupla, no final de uma festa de casamento em Bauru, o músico enroscou a ponta do sapato num cavalete que amparava o quadro dos noivos, que ficou estilhaçado. “Essa vai ficar para a história”, gargalha Samira.

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