Quem já teve o cartão de crédito bloqueado, assustou-se com valores absurdos na conta de água ou luz ou teve o telefone bloqueado vai se identificar com “O Sistema”. A série, que estréia hoje, logo após o “Globo Repórter”, vai ironizar o controle da liberdade a partir de situações como essas.
“Nós nos achamos vítimas do sistema. Quando o cartão fica preso no caixa ou chegam contas altíssimas, eu sempre penso que estou sendo punida. É uma paranóia do mundo moderno. Partimos desse argumento para fazer a série”, conta Fernanda Young, que divide a autoria do programa de seis capítulos com Alexandre Machado.
A história começa com uma discussão por telefone entre o fonoaudiólogo Matias (Selton Mello) e a atendente de telemarketing Regina (Graziella Moretto). Depois de ser humilhada por ele na frente da chefe, Greta (Betty Gofman), ela decide se vingar: apaga o nome do rapaz dos cadastros. Da noite para o dia, ele fica sem energia no escritório, não consegue passar cheques, tem seus cartões bloqueados e não consegue fazer ligações.
À beira do desespero, Matias é resgatado por um grupo de jovens “excluídos” como ele. “Trash (Lúcia Bronstein), Paca (Maíra Dvorek) e Avenarius (Gregório Duvivier) vão resgatá-lo e, a partir daí, ele vai entrar em um mosaico de conspiração”, conta o diretor José Lavigne.
Durante essa busca por sua identidade perdida, Matias vai descobrir que a chegada do homem à Lua e a morte do cantor americano Elvis Presley foram situações forjadas. Para descobrir qual é o segredo por trás do sistema, os telespectadores terão de esperar até o último capítulo. As tramas não serão iniciadas e concluídas no mesmo episódio.
Essa, aliás, não é a única inovação: cerca de 40% dos diálogos foram criados pelos próprios atores. Mas não há a preocupação de agradar. “Queremos a continuidade, mas, se não rolar, ninguém vai sofrer. Esses seis episódios já são a realização de um sonho”, diz Fernanda.